<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427</id><updated>2009-04-20T21:41:00.104-03:00</updated><title type='text'>Contrapunctum</title><subtitle type='html'>Este blog visa divulgar informações do campo da música de concerto (clássica ou erudita) e de outras artes e ciências de forma interativa, bem como expor idéias, opiniões, comentários e textos variados em áreas diversas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>37</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-115600306672722177</id><published>2006-08-19T11:43:00.000-03:00</published><updated>2006-08-19T13:53:02.170-03:00</updated><title type='text'>Voe, Sarah</title><content type='html'>Saiu na &lt;strong&gt;UOL Últimas Notícias&lt;/strong&gt;, dia 14, segunda-feira. Dia em que cessou a guerra entre Israel e Hezbollah, após os últimos ataques intensificados.&lt;br /&gt;________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Abraçada à mãe, Sarah morreu horas antes do fim da guerra em Beirute&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BEIRUTE, 14 ago (AFP) - Sarah, de 10 anos, jamais saberá quem venceu a guerra, se Israel ou o Hezbollah, pois morreu abraçada a sua mãe depois que as bombas israelenses as sepultaram sob os escombros do prédio onde se refugiaram, em um subúrbio ao sul de Beirute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os restos mortais das vítimas das últimas horas de batalha jaziam nesta segunda-feira no necrotério da capital do Líbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seu rosto estava ensangüentado, mas intacto. Seu corpo, no entanto, está destroçado, e suas pernas não passam de uma massa de carne. Deixei a fita vermelha que prendia seus cabelos", conta Mahmud Mekdad, um dos funcionários do necrotério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sua mãe, Asmahane, está no caixão ao lado do dela. Quando foram retiradas dos destroços, a menina abraçava a mãe que tentou visivelmente protegê-la. As equipes de socorro tiveram que afastá-las", acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os corpos foram trazidos para cá na noite de domingo e até agora ninguém veio reclamá-los. Talvez não haja sobreviventes nesta família", informou o médico legista Hussein Medkad, que passou os atestados de óbitos na ausência de familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sarah e sua mãe morreram soterradas quando aviões israelenses bombardearam na tarde de domingo um prédio do bairro Rueiss, periferia de Beirute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não há dúvidas de que existem outras famílias sob os escombros. É pouco provável que sejam encontrados sobreviventes. Vamos usar cães adestrados para tentar localizar os corpos", disse um socorrista no local da tragédia, onde já foram retirados dez corpos. Inaam Kaacheemelli e sua filha Mariam observam as idas e vindas das escavadeiras que erguem blocos de concreto armado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariam, de 10 anos, vive a 200 metros dos imóveis destruídos. "Ontem, ao meio-dia, eu estava brincando com Sarah e o irmão dela, Ibrahim. Onde eles estão?", pergunta a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe implora aos jornalistas: "Por favor, não mostrem para minha filha a foto do corpo de Sarah. Ela ainda não sabe", explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de mil civis morreram em 33 dias de bombardeios contra o Líbano. Segundo dados das Nações Unidas, quase um terço das vítimas é de crianças.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí. É esse o espectro da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ligue, Sarah. Os adultos são assim mesmo. E você, nunca crescerá. Nunca se tornará um adulto. Mas arrancada subitamente da existência, voa, para longe, e deixa atrás de si um mundo de mediocridades e ilusões, no qual a vida é um duelar constante entre os homens fortes e grandes, que em sua fraqueza se esqueceram de que foram, um dia, humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voe, Sarah.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-115600306672722177?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/115600306672722177/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=115600306672722177' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115600306672722177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115600306672722177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/08/voe-sarah.html' title='Voe, Sarah'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-115499489540323000</id><published>2006-08-07T20:49:00.000-03:00</published><updated>2006-08-19T15:47:12.356-03:00</updated><title type='text'>Irmãos de guerra</title><content type='html'>Estas montanhas cobertas de bruma&lt;br /&gt;são agora a minha casa&lt;br /&gt;Mas o meu lar é nas planícies&lt;br /&gt;e sempre será&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum dia vocês retornarão&lt;br /&gt;para os seus vales e fazendas&lt;br /&gt;E não mais ansiarão para serem irmãos de guerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através desses campos de destruição,&lt;br /&gt;batismo de fogo,&lt;br /&gt;Eu testemunhei o sofrimento&lt;br /&gt;quando as batalhas se intensificaram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E embora eles me machucavam tão maldosamente&lt;br /&gt;no medo e no alarme&lt;br /&gt;Vocês não me abandonaram&lt;br /&gt;meus irmãos de guerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem tantos mundos diferentes,&lt;br /&gt;existem tantos sóis diferentes&lt;br /&gt;E nós temos apenas um mundo&lt;br /&gt;mas vivemos em mundos diferentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora o sol foi para o inferno&lt;br /&gt;e a lua está girando rápido&lt;br /&gt;Deixe-me dar adeus&lt;br /&gt;todo homem tem que morrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas está escrito nas estrelas&lt;br /&gt;e em toda linha na palma da sua mão&lt;br /&gt;Somos tolos por guerrear&lt;br /&gt;nossos irmãos de guerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dire Straits, Mark Knopfler&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-115499489540323000?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/115499489540323000/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=115499489540323000' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115499489540323000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115499489540323000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/08/irmos-de-guerra.html' title='Irmãos de guerra'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-115453998222961367</id><published>2006-08-02T14:27:00.000-03:00</published><updated>2006-08-12T19:56:35.080-03:00</updated><title type='text'>Mundo Paralelo</title><content type='html'>____________&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;indolencia.com&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que estou em um mundo paralelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou há muito tempo sentado. Aprisionado. Não sinto o tempo passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha frente, uma tela em que imagens aparecem, conforme o toque dos dedos. Os dedos percorrem botões e alternam com o toque da mão direita, no ratinho branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo passa muito rápido. Mas às vezes, segundos parecem horas, diante do movimento lento, irritantemente lento, da ampulheta a marcar a espera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pressiono F5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma mensagem. Decepciono-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recinto está fechado. Apenas uma janela me mantém em contato com o mundo externo. Janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navego. Tento encontrar algo. Preciso encontrar algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.google.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro algo (qualquer coisa). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho as janelas. Não sem um quê de frustração e tristeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligo a tela. Mas descubro que ainda estou em um mundo paralelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu redor há objetos, pessoas, conversas, paredes, sons de carro passando. Tudo parece irreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo perdeu o sentido. Eu perdi o sentido. Estou em um novo parâmetro de realidade. Aprisionado. Alienado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paredes me cercam do mundo lá fora. Uma janela me mantém em contato com o mundo externo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas janelas. Windows.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-115453998222961367?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/115453998222961367/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=115453998222961367' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115453998222961367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115453998222961367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/08/mundo-paralelo.html' title='Mundo Paralelo'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-115395933895742052</id><published>2006-07-26T21:01:00.000-03:00</published><updated>2006-07-26T21:22:06.043-03:00</updated><title type='text'>Santa Ignorância</title><content type='html'>Qual é, afinal, o verdadeiro papel da arte contemporânea?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrevo aqui um interessante ensaio do meu amigo &lt;strong&gt;Ricardo Frantz&lt;/strong&gt;, que expõem sua visão sobre esse tema, em um paralelo entre os artistas acadêmicos e os artistas de rua:&lt;br /&gt;_____________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SANTA IGNORÂNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de tratar neste texto de um pequeno grupo à margem dos circuitos oficiais de arte: os artistas de rua, mais especificamente aqueles que pintam casinhas, flores e paisagens e vendem seu trabalho, dentre outros lugares, diante do MacDonald’s da Praça da Alfândega. Alguém já parou para prestar atenção no seu trabalho? É uma aula de pintura contemporânea, e mais: de postura humana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de vê-los expondo de forma dignificada dentro de um bom museu. Gostaria de ver sua simplicidade imediatista mais viva entre os artistas cultos, sua despretensão mais disseminada no circuito de arte. Estamos precisando disso, minha gente. Temos palavreado demais, pensamento demais, e isso está entravando nosso progresso e nossa felicidade coletiva. É preciso mais amor direto, comunicação mais clara. A arte erudita está perdendo sua capacidade unificadora e dando margem a acirramentos de ânimo que contaminam outras áreas de nossa vida. Os excessos intelectuais esvaziam nossa vitalidade e a capacidade de interessar verdadeiramente o grande público. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já diz a música: o artista precisa ir aonde o povo está. Aonde nós artistas diplomados e laureados estamos indo com nossa crescente erudição e nossos acumulados títulos acadêmicos? Inflando nosso ego e o da panelinha de sempre? É um círculo autofágico que consome rios de dinheiro e acrescenta pouco à felicidade geral. Contribuímos para a concentração de renda e para o aumento da pobreza do povo. Se fôssemos mais altruístas e despretensiosos exigiríamos menos museografia dispendiosa e daríamos mais prazer à população. Talvez assim os museus fossem freqüentados mais espontaneamente, se o povo pudesse se identificar mais com o que vê pendurado nas paredes, e pudesse encontrar nestas expressões mais diretas da arte mais pontes para as grandes manifestações eruditas que exigem preparo incomum para sua compreensão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o tamanho do currículo que atesta a qualidade do trabalho. Às vezes as coisas se sincronizam, muitas não. Estes pintores de rua têm uma obra que ganha de goleada de pelo menos metade da produção pictórica contemporânea que circula garbosa pelos museus atualmente. Mas a quantidade de discurso e diplomas e medalhas anexo à produção erudita garante-lhe uma colocação fácil mas questionável, haja vista sua pobre plasticidade, discurso amiúde rocambolesco e escassa inventividade. É comum ver o público percorrer as salas de exposição a passo batido – pouca coisa desperta seu interesse, pouca coisa o prende por sua alegria e exuberância – a obra exposta não as tem. O mais das vezes vemos um aborrecido discurso sobre o sexo dos anjos, ou sobre a solidão e degradação do ser humano e outras misérias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse pessoal da rua não: seus quadros geralmente são um grito de alegria, suas cores espelham as da natureza banhada pelo sol, quando não tentam mesmo sobrepujá-las com a audácia do verdadeiro criador que ri com prazer e não por educação, e sabe fazer rir. Já cheguei à conclusão que boa parcela dos artistas eruditos perdeu a noção de gozo criativo, já não sabem, ou não podem, ou não querem vibrar, exultar, ter um êxtase com seu trabalho. Me pergunto por quê? Por que seus temas comuns são melancólicos, áridos, tenebrosos, em geral herméticos? Acho tocante a atitude daquele que se preocupa com os problemas e inquietudes do homem contemporâneo através da expressão plástica. Mas não são trabalhos que nos transmitam serenidade, ou representem um lenitivo ou solução para aqueles problemas e inquietudes, e é isso o que eu questiono na produção erudita mais em voga. É certo que é uma produção que estimula a reflexão. Mas sobre o quê mesmo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que nunca aprendi a gostar deste jogo... No meu caso pessoal, se fosse comprar uma obra de arte para colocar na parede de minha sala ou em meu quarto, não compraria creio que 80% do que vejo hoje em dia nos museus e galerias locais, mesmo que tivesse dinheiro sobrando. Talvez eu seja caseiro e pacato demais, mas por que eu colocaria uma grande "dúvida", uma grande "crítica", uma grande "inquietação" sobre o balcão da sala onde faço as refeições todos os dias? Eu ficaria com receio de ter má digestão. É sério, podem rir, mas é sério. Eu preferiria colocar um grande "sorriso", um belo e alegre "sim". Se acreditamos meeeesmo que a arte nos transmite coisas, sejam pensamentos, sensações ou sentimentos, deveríamos pensar bem antes de levar qualquer obra de arte para dentro de casa, e também para dentro de museus, ora essa! Por isso hoje em dia é tão difícil trazer o público para dentro dos museus, e gasta-se tanto com acessórios expositivos de caráter espetaculoso, pois estes sim atraem público. Já que o conteúdo vai ser meio amargo, meio deeenso, meio indigesto, meio obscuro ou meio intrincado... bem... pelo menos a moldurinha seja mais palatável. Não sei vocês, mas tenho a tendência a procurar instintivamente as coisas que me dão prazer, e acho que muita gente é assim. Hoje em dia o mundo anda tão agitado e febril, às vezes tão irritante para os nervos, tanto carro buzinando lá fora, tanta notícia ruim no jornal... não daria pra criarmos através da arte áreas de repouso mental e espiritual, ou de reenergização? Seria uma proposta tão descabida, uma função menos nobre ou menos interessante? É fácil para a arte fazer isso, em 30x40 cm se pode embutir todo um vasto panorama ensolarado, uma praia maravilhosa e pacífica, um matinho refrescante, umas casinhas mimosas, delicadas e habitadas por um povo gentil... o pessoal da rua faz isso, porque compreende o drama do mundo talvez muito mais do que a classe abastada, produtora e consumidora de arte erudita, e tenta com seus pincéis de crina de jumento e tintas de terceira fazer algo para contrabalançar o estado penoso das coisas, ao contrário do erudito, que &lt;em&gt;reitera&lt;/em&gt; o problema porque se o cara não "questiona" alguma coisa com sua obra ou se aparece na rodinha feliz demais pode ficar certo de ser repelido pela turma da intelectualidade e por grande parte dos donos da grana e das galerias... E assim repelem o grande público, não podem mais fazer as pessoas comuns vibrarem, se emocionarem, porque quando temos que parar para &lt;em&gt;pensar&lt;/em&gt; no que estão querendo nos dizer com obras sorumbáticas e monótonas, aí bailou geral... no máximo o pessoal diz: “que interessante”, com um sorriso amarelíssimo nos lábios, e sai à francesa na primeira chance. Se procurassem recuperar essa capacidade para a alegria, se procurassem temas mais vitalizantes e comunicativos, mais &lt;em&gt;comuns&lt;/em&gt;, talvez os artistas cultos não vestissem tanto o preto chiquérrimo e passassem a variar o guarda-roupa... e com ele o humor, via de regra sarcástico, ácido e belicoso. Já foi comprovado que as cores têm influência nos estados de ânimo. Esses pintores de rua primam pela simpatia pessoal e pela vasta gama cromática que empregam em seus trabalhos, um verdadeiro banquete visual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos de soluções plásticas são de uma riqueza inusitada. Mesmo que os temas sejam poucos e simples, normalmente paisagens despretensiosas, casarios, marinhas e flores, as combinações de cores, os efeitos de espaço, de luz e de texturas, usando e abusando do tão desprezado espatulado, variam &lt;em&gt;ad infinitum&lt;/em&gt; e cada trabalho é um surpreendente achado em termos de composição e equilíbrio formal. Estes pintores, benditamente ignorantes no sentido acadêmico, não temem ousar, não temem pintar um céu de roxo, porque não temem pintar um chão de laranja, não temem pintar casinhas porque amam a vida e conhecem o coração do povo, ao contrário do erudito que além de odiar andar de ônibus pensa meia hora quando não um dia inteiro antes de dar uma única pincelada e quando a dá estremece de angústia e se torce de dúvida e corre consultar um texto para verificar se aquele procedimento é adequado ou é coerente com seu fio condutor ou tem o referendo de algum arquidoutor que nunca pisou neste trópico. Benza Deus.... o que é isso, minha gente? Parece que o artista erudito sofre de um sério entupimento em algum lugar. As palavras e os conceitos entupiram seu cérebro, seu coração, sua criatividade, sua alegria, e só produzem mais palavras e mais conceitos, como um vírus a se multiplicar. Falta coragem, na minha opinião, falta amor, paz e riso – não a ironia, o deboche e o tédio que abundam nos papos-cabeça. Por isso se amparam nos currículos, nos textos, nas palavras, nos críticos... e por último no produto que fazem. Os da rua não temem a aventura, não temem criar com fluência, não temem errar, não temem vender sua arte na calçada, porque não temem ser incompreendidos pela grande massa, só temem que a grande massa, via de regra bem menos abonada, não possa sequer prescindir dos míseros vinte ou trinta pilas que cobram por cada trabalho, com um lucro mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em pilas, a discrepância entre o acadêmico e o da rua neste ponto é avassaladora. Enquanto que este vende suas pequenas jóias a preço de banana, aquele por vinte ou trinta reais sequer levanta da cama e calcula seu preço a muitos dólares o metro quadrado de pintura – até nisso se percebe frieza e despersonalização: pintura a metro! Já se viu, Macunaíma? E é diametralmente oposta a intenção de cada um: o da rua, com modéstia exemplar, só pretende que seu trabalho lhe cubra o aluguel vencido, a comida diária e a reposição do material gasto, e principalmente &lt;em&gt;enfeite&lt;/em&gt; a sala do comprador e lhe traga alguma felicidade. O erudito já pensa em museus, mecenas, galerias, teses, patrocínios, catálogos, grandes coleções e quiçá uma bolsa para o estrangeiro para fugir desse país pobre, selvagem e atrasado, esquecendo que ao chegar lá seu passaporte e seu sotaque boliviano (&lt;em&gt;no?... ah,  Brazilian... it's the same&lt;/em&gt;) vão imediatamente denunciá-lo como pobre, selvagem e atrasado e vão fazê-lo possivelmente experimentar na carne e no estrangeiro o que condenou nos outros e em casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema do erudito é que suas raízes estão longe daqui, ele tende a considerar seu país, seu povo e sua realidade imediata uma maldição. Ele gostaria de viver na Europa ou nos Estados Unidos e não ter que suportar o budum da ralé que acorda às 5 da matina para poder chegar a tempo no emprego na padaria que lhe faz o pão fresquinho de seu café ou na empresa que lhe importa da Rússia o pincel de pelo de marta ou da Inglaterra sua bibliografia autorizada. Longe das raízes, enlanguesce de nostalgia, e ainda cospe no prato que come. Benza Deus. Seu trabalho só pode ser sentido como frio, longínquo, nublado e alienígena para a população nativa deste país quente, vibrante e solar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com seu talento despretensioso, sua exuberância, sua comunicabilidade, sua humanidade e sua sabedoria, os pintores de rua nos humilham. Mas também nos alegram, pois estão por aí, e se quisermos podemos comprar com facilidade uma porção de trabalhos seus para alegrar nossas casas e talvez introduzir uma percepção diferente sobre a arte em nossas vidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes eu disse que gostaria de ver esses carinhas expondo em um museu. Mas agora me dou conta que correriam o grave risco de se contaminarem com o ambiente e acabarem perdendo a força e o encanto de sua ginga maneira, se viessem a se intimidar ou seduzir diante do luxo ostensivo e moderassem ou padronizassem seus santos atentados ao pseudo-bom-mocismo opressivo, brochante e engravatado que domina a cena oficial. Ia ser uma perda irreparável. Que fiquem nas ruas, livres, sadios, belos e ágeis como pássaros, longe dos museus, fiquem por lá fazendo o bem sem olhar a quem, e fiquemos nós por aqui entediados nesta escola de cinismo servindo &lt;em&gt;canapès&lt;/em&gt; a uma platéia seleta e orgulhosa que ainda reclama da qualidade do vinho servido grátis, sendo obrigados a ver esqueletos, monstros e fósseis pendurados nas paredes e esperando as duas ou três vezes por ano em que acontece alguma coisa que justifique a fortuna que o Estado despende na manutenção de instituições culturais que deveriam ser um ponto de encontro espontâneo da população e não passam via de regra de locais aonde só vamos obrigados ou para ver se apareceu algo que ainda não esteja podre neste reino da Dinamarca. &lt;em&gt;Bolívia. No, Brazil.... o, yes&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;_____________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ricardo Frantz é artista plástico, compositor amador e Técnico em Assuntos Culturais da Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-115395933895742052?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/115395933895742052/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=115395933895742052' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115395933895742052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115395933895742052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/07/santa-ignorncia.html' title='Santa Ignorância'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-115067254036931247</id><published>2006-06-18T20:14:00.000-03:00</published><updated>2006-07-15T12:08:37.623-03:00</updated><title type='text'>As sete maravilhas do momento:</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1. Luís Inácio Lula da Silva&lt;br /&gt;2. MLST&lt;br /&gt;3. Bruno e Marrone&lt;br /&gt;4. Galvão Bueno&lt;br /&gt;5. BBB (Big Brother Brasil)&lt;br /&gt;6. Dan Brown&lt;br /&gt;7. Carlos Alberto Parreira&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-115067254036931247?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/115067254036931247/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=115067254036931247' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115067254036931247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115067254036931247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/06/as-sete-maravilhas-do-momento.html' title='As sete maravilhas do momento:'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-115008489211200662</id><published>2006-06-12T01:00:00.000-03:00</published><updated>2006-12-28T13:36:28.250-02:00</updated><title type='text'>O fantástico mundo do saxofone: sopranino, soprillo, sax baixo, contrabaixo, subcontrabaixo/tubax</title><content type='html'>Essa matéria foi aperfeiçoada e movida para o &lt;strong&gt;Mnemosina&lt;/strong&gt;. &lt;a href="http://mnemosina.blogspot.com/2006/11/o-fantstico-mundo-do-saxofone.html"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://mnemosina.blogspot.com/2006/11/o-fantstico-mundo-do-saxofone.html"&gt;http://mnemosina.blogspot.com/2006/11/o-fantstico-mundo-do-saxofone.html&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-115008489211200662?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/115008489211200662/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=115008489211200662' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115008489211200662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/115008489211200662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/06/o-fantstico-mundo-do-saxofone.html' title='O fantástico mundo do saxofone: sopranino, soprillo, sax baixo, contrabaixo, subcontrabaixo/tubax'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114973328761536968</id><published>2006-06-07T23:19:00.000-03:00</published><updated>2006-06-07T23:21:27.626-03:00</updated><title type='text'>Improviso: "sons fortuitos"</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sons ecoados no espaço,&lt;br /&gt;Sons indefinidos, sem forma, vazios,&lt;br /&gt;Ruídos sem sentido, ondas desconexas que meus ouvidos captam,&lt;br /&gt;Alguns sons, até com belos efeitos,&lt;br /&gt;Mas sem sentido, sem vida, sem a complexidade para se sustentarem em si mesmos,&lt;br /&gt;Sem comunicação entre uma freqüência e outra,&lt;br /&gt;Sons jogados e espalhados, explodidos e expandidos, no espaço, randômicos.&lt;br /&gt;O caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de repente,&lt;br /&gt;Um conjunto organizado de sons chegou aos meus ouvidos,&lt;br /&gt;Fazendo-me perguntar: como surgiu, de onde veio, como foi criado?&lt;br /&gt;Que teoria física abriga o sentido desse fortuito e feliz encontro de timbres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disseram-me que era a Nona Sinfonia de Beethoven,&lt;br /&gt;Da fina arte, da pena, da mesma que abriga uma doce Ária da Corda Sol&lt;br /&gt;de uma suíte de Bach,&lt;br /&gt;Da mesma arte, que abriga o encanto&lt;br /&gt;de uma ópera de Mozart&lt;br /&gt;E a complexidade de qualquer um dos Seis Quartetos de Bartók.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acreditei,&lt;br /&gt;Não conhecia esses nomes.&lt;br /&gt;Nunca os vi, não existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o conjunto de sons&lt;br /&gt;continua, e me impressiona&lt;br /&gt;Estou encantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz quadro de vibrações sonoras&lt;br /&gt;(freqüencias, em hertz, vindas de algum lugar desconhecido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeci ao deus Random,&lt;br /&gt;(síntese fortuita da natureza)&lt;br /&gt;e à complacência do acaso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;27/05/2006 – Anderson Paiva&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114973328761536968?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114973328761536968/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114973328761536968' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114973328761536968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114973328761536968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/06/improviso-sons-fortuitos.html' title='Improviso: &quot;sons fortuitos&quot;'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114948194188909036</id><published>2006-06-05T01:27:00.000-03:00</published><updated>2006-06-10T03:08:54.656-03:00</updated><title type='text'>A arte de Aílton Rocha</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aílton Rocha&lt;/span&gt; é poeta, contista e ensaísta. Intelectual de Muzambinho, interior de Minas Gerais, possui estreitas relações com alguns dos grandes escritores brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive o prazer de conhecê-lo em um fórum de discussões de música clássica, na internet. Trocamos algumas mensagens, e desde então venho aprendendo valiosos valores relacionados à arte humana. Impressionante sua clareza de raciocínio, capacidade de concentração, implacável lógica e, sobretudo, sua sensibilidade. Rocha pinta um retrato da mente humana em direção ao transcendente com profundidade e predomínio das sensações. Sensações psicológicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente tive a honra de receber via correio alguns de seus livros publicados, devidamente autografados: “Imagens” (poemas), “Nove Histórias de Amor e Vida” (coletânea com contos de três escritores, incluindo Aílton) e “Realismo (quatro histórias)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Imagens”, o lúcido e cristalino jogo de palavras; a incrível orientação estética; a relação da mente humana com a natureza, com o insondável; e, em alguns momentos, lirismo, doçura, candura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;AH! QUERO SIM QUE OS LÍRIOS, A LUZ,&lt;br /&gt;A brancura da luz te abram os olhos.&lt;br /&gt;Que teus braços se desembaracem das&lt;br /&gt;Algas marinhas – das vãs ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que abram asas, abram asas teus braços,&lt;br /&gt;Teu vulto de luminosa borboleta.&lt;br /&gt;Voe, que voe, contornada de brilho!&lt;br /&gt;O azul e nuvens sempre serão o teu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rompam as algemas os teus pensamentos. &lt;br /&gt;Para o sol! Para radiantes estrelas!&lt;br /&gt;Para Deus! A amplidão está em ti!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas abre tuas asas, borboleta-celeste!&lt;br /&gt;Um só dia, sobre mim, em meu coração. Tú!&lt;br /&gt;Flutuante esperança! Amor que nunca tive!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dois sonetos&lt;/span&gt;, de “Imagens”, pág.  54)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vejam que nível de profundidade o autor alcança nesse trecho do conto “Quinze dias de chuva”, em que o narrador-personagem conta a sua experiência e convívio em um manicônio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Com que sonha um louco quando dorme? Será se é lúcido e há paz nesse sono? Ou loucura mesmo é pensar, refletir, como constantemente fazemos? (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mistério. (...) Um pequeno fio, apenas um fiozinho de nada ampara a nossa lucidez. A qualquer momento pode acontecer a ruptura (...) A deformidade do entendimento (...) O que passa por detrás desses olhos mortiços? (...) É a verdadeira escuridão noturna. Em certos momentos, há um brilho. Será a clareza de quem desnudou os limites do real e do imaginário? Será a compreensão de quem rompeu o nó, o elo que nos liga ao enigma da existência? E eles nos olham, abrangentes, e, por instantes, riem, só nos cantos dos lábios como se reconhecessem em nós o ridículo e o verdadeiro absurdo. E não podemos trazê-los de volta. Não podemos compreender. É um segredo que retorna em espiral a uma outra região, desconhecida e abissal.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quinze dias de chuva&lt;/span&gt;, de “Nove histórias de amor e vida”, pág. 73)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Realismo (quatro histórias)&lt;/span&gt;, talvez sua obra mais profunda, a submersão no inconsciente e nos mistérios da mente humana é de uma interiorização impressionante. É obra para reflexão, de impacto, complexa, densa e profunda.  Esses contos “foram construídos a partir da observação da psique humana, e criados como labirintos, câmaras, corredores subterrâneos”, conforme as próprias palavras do autor. Utilizando psicologia jungiana, símbolos esotéricos e técnicas expressionista e surrealista, o escritor aprofunda-se no realismo interior de seus personagens, com sensibilidade extrema, sentindo-lhes a dor com uma experiência humana, e criando, a partir de técnicas de assimilações variadas, um clima que sempre tende ao fantástico, ao insólito e ao inusitado. Sinceridade e originalidade são aspectos essenciais de sua de sua inconfundível estética. Conforme as palavras de Américo Carnevali Filho, “é realismo íntimo, criatividade artística e, ao mesmo tempo, sofrimento de toda a Humanidade”. &lt;br /&gt;_______________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;_ Papai, o aquário não é um simples aquário, como o senhor pensa.&lt;br /&gt;_ O que é, então, meu filho? Perguntou o engenheiro Jean Paul ao menino.&lt;br /&gt;_ O aquário – repitiu ele – não é um simples aquário.&lt;br /&gt;_ Explique-se melhor, filho. De onde tirou essa idéia? Tornou a perguntar o pai, de uma maneira desatenciosa, porque já estava acostumado com aquele tipo de pergunta.&lt;br /&gt;_ Pai, pai. Pare um pouco esse esquadro. Ouça o que tenho a dizer antes que seja tarde demais.&lt;br /&gt;_ Sim, meu filho. Já parei. Pode dizer agora.&lt;br /&gt;_ Meu pai! Todo aquário tem um caminho para o oceano. Todos eles têm um túnel. Eu consigo enxergar a passagem no fundo do aquário... Eu vi a passagem...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(início do conto &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Menino que Gostava de Peixes&lt;/span&gt;, de “Realismo - Quatro Histórias”)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114948194188909036?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114948194188909036/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114948194188909036' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114948194188909036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114948194188909036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/06/arte-de-alton-rocha.html' title='A arte de Aílton Rocha'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114773890209280646</id><published>2006-05-15T21:20:00.000-03:00</published><updated>2006-05-15T21:35:38.010-03:00</updated><title type='text'>Alex Klein</title><content type='html'>Amigos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/klein1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/klein1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Já escrevi uma crônica aqui sobre o Concerto para Oboé e Orquestra, que assisti ao vivo, com a OSESP pelas mãos de Alex Klein. Alex Klein é um dos músicos mais renomados da atualidade, e representa um refinamento artístico altíssimo entre os músicos brasileiros, ao lado de nomes como Antônio Menezes, Cláudio Cruz e Nelson Freire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje trago aqui uma transcrição de um texto Jornal Valor, sobre o virtuose brasileiro.&lt;br /&gt;________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há três anos Alex Klein foi o primeiro - e até agora único - músico brasileiro a ganhar um Grammy de verdade em 2002. Não os da oportunista categoria "Latina" marqueteiramente criada pelo prêmio com objetivos comerciais, mas o de melhor gravação clássica do ano, em que é o solista do "Concerto para Oboé e Pequena Orquestra" de Richard Strauss com músicos da Sinfônica de Chicago regidos por Daniel Barenboim. Pois agora o paranaense Klein está sendo obrigado, aos 40 anos, no auge de uma carreira fulgurante, a abdicar de parte de suas atividades como oboísta. Isso depois de ser durante nove anos o primeiro oboé da Orquestra Sinfônica de Chicago, e de várias gravações internacionalmente reconhecidas. Klein não consegue mais conviver, desde o ano passado, com uma doença chamada "distonia focal", distúrbio neurológico que provoca movimentos musculares involuntários que resultam em torções, posturas anormais e movimentos repetitivos de uma parte do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tive de abrir mão do trabalho na Sinfônica de Chicago", revela em entrevista ao Valor, "porque não me era mais possível agüentar o ritmo intenso de trabalho musical diário de no mínimo cinco horas". A distonia focal faz com que, depois de algum tempo tocando, Klein perca o controle dos dois dedos intermediários da mão esquerda - e por consequência embaralha totalmente a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, felizmente, ao menos no caso do brasileiro, não se trata de uma decisão radical. Sua distonia focal lhe permite combinar o trabalho como oboísta com o de outras atividades - a regência de orquestra, à qual vem se dedicando com empenho desde 2004. Assim, "não dá para ser oboísta em tempo integral, porque, além do descontrole, o exercício continuado provoca forte tendinite", diz Klein, "mas é perfeitamente possível tocar durante uma hora por dia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que ele pode continuar empunhando seu oboé. Pois Klein forma, ao lado do pianista Nelson Freire e do violoncelista Antonio Menezes, na raríssima linha de frente dos músicos brasileiros que realmente - de fato e de direito - possuem livre trânsito e reconhecimento internacional. Só para dar uma idéia do seu ritmo frenético de atividades, Klein acaba de lançar dois CDs no mercado internacional pelo selo americano Cedille Records: "Wind Concertos", com obras concertantes para oboé por compositores do século 18 como Cimarosa, Molique e Moscheles; e um duplo com concertos de oboé do século 20, com obras do checo Bohuslav Martinu e de dois parceiros de estudo dele: o polonês Pawel Sydor e o brasileiro Marco Aurélio Yano. Em ambas as gravações, excepcionais, ele é acompanhado por uma das mais afamadas orquestras do leste europeu, a Sinfônica Checa, regida por Paul Freeman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detalhe importante: Klein estudou no Instituto de Artes da Unesp com Marco Aurélio Yano, precocemente falecido em 1991. O belíssimo concerto "de formas brasileiras, foi assim que o encomendei ao Marco Aurélio", diz Klein, permaneceu incompleto. O oboísta encarregou-se da orquestração e a obra foi estreada ano retrasado na Sala São Paulo por Klein e a OSESP. E agora recebe sua primeira gravação mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não há qualquer limitação de ordem física por causa da distonia focal nestas gravações", afirma o músico. "A questão é saber balancear o volume de esforço, a quantidade de horas dedicadas ao instrumento". Uma audição minuciosa comprova que Klein nunca esteve em forma tão espetacular quanto nestes registros. Tão bem, aliás, quanto sua extraordinária performance no concerto de Richard Strauss que lhe deu o Grammy (no CD "Teldec").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É impossível imaginar o impacto que tive ao me sentar pela primeira vez como oboísta na Sinfônica de Chicago. Isso aconteceu num dia de março de 1995 - à minha frente, ao piano, estava Daniel Barenboim, que só não é lenda absoluta porque não deixa isso acontecer. Ele solou e regeu o terceiro concerto para piano e orquestra de Beethoven. Foi um marco zero para mim. Minha vida musical começava ali".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um depoimento desses, tão emocionado, pede explicações. Qual o segredo? "A primeira lição que aprendi com Barenboim - um autêntico gênio na linhagem de Furtwängler e Karajan - foi que o concerto é dos músicos, e não do maestro. Cabe ao regente antenar-se com as idéias que os músicos estão pondo em prática ao tocar", diz Klein, que realizou há poucas semanas um concerto muito bom ao lado da Orquestra Sinfônica Municipal em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra regrinha que os maestros nativos costumam desrespeitar, apelando para "enrolation": o trabalho do maestro se faz nos ensaios, que devem ser muitos, e não no momento do concerto. Assim, aqueles gestos grandiloquentes que tantos batuteiros fazem só valem mesmo para a platéia incauta -- os músicos sequer se dão ao trabalho de olhar para o pódio. Isso se deve também ao fato de que boa parte dos nossos maestros são regentes ... de espelho e de discos. Mas esta é outra história, que se deve à rarefeita cena sinfônica brasileira (contam-se nos dedos o número das sinfônicas que merecem este nome - e muito provavelmente nos dedos de uma só das mãos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda lição é fundamental: é preciso, a todo custo, combinar o alto nível musical com o empenho social. "Não sou um viajeiro fanático", diz ele. "O trabalho em Chicago me ensinou que você ganha identidade na medida em que se insere na comunidade, enquanto, claro, persegue o ideal de fazer música segundo um padrão elevado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estas bem-vindas premissas que Klein trouxe para Curitiba quando decidiu, ano passado, sair da Orquestra de Chicago. Teve de deixar os dois filhos, de 7 e 10 anos, nos Estados Unidos, mas procura conviver com eles o máximo de tempo possível, já que pratica quase uma ponte aérea entre Brasil, EUA e Europa. Ele está gravando, no momento, nos EUA, para a Cedille Records, um disco ao lado de músicos da Orquestra de Chicago que inclui, entre outros, arranjos de alguns dos caprichos para violino solo de Paganini, da brasileiríssima "Tico-Tico no Fubá"; em setembro grava o maravilhoso quinteto de Mozart com o Quarteto Vermeer; e, por fim, faz turnê européia com músicos da Filarmônica de Berlim com quintetos de Mozart e Beethoven. Isso significa que, como oboísta, Klein continua convivendo com os melhores músicos e as mais qualificadas salas de concerto do planeta (sem esquecer as gravações internacionais). De quebra, será o solista da Sinfônica de Chicago em concerto no dia 3 de novembro na suntuosa e respeitada sede da orquestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, ele rege a Orquestra de Câmara da USP em outubro, fará recitais em São Paulo e em Uberlândia, em Minas Gerais. E declara-se disposto a um trabalho a longo prazo, na direção artística de uma orquestra que queira consolidar-se musicalmente e também inserir-se de modo expressivo na comunidade á qual pertence. Maiores informações e contatos podem ser feitos através do site www.alexklein.com. Uma oportunidade histórica, que qualquer secretário de cultura um bocadinho mais arejado gostaria de aproveitar. Vejam bem: não é Klein quem está pedindo emprego. É o Brasil que não pode perder esta chance de fazê-lo criar raízes permanentes por aqui. A música agradece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Jornal Valor, 17 de junho de 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114773890209280646?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114773890209280646/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114773890209280646' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114773890209280646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114773890209280646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/05/alex-klein.html' title='Alex Klein'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114693656586697580</id><published>2006-05-06T14:24:00.003-03:00</published><updated>2006-06-12T22:40:20.890-03:00</updated><title type='text'>O Mago</title><content type='html'>poema de Aílton Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o lobo, saciado de sangue e carne,&lt;br /&gt;Volta a trotar pelas estepes, com o focinho sujo,&lt;br /&gt;Com gritos da corça em seu estômago selvagem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E o urso, sentindo sonolentos os olhos,&lt;br /&gt;Semi-adormecidos os membros,&lt;br /&gt;Vai para a caverna reiniciar a hibernação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E o poeta, cansado de lapidar a pequena obra,&lt;br /&gt;Com a secreta vaidade de imitar Deus,&lt;br /&gt;Debruça-se ao repouso sobre as gramíneas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E o homem recorda o sonho da tarde de verão.&lt;br /&gt;Absorto diante das partes esfaceladas&lt;br /&gt;Recolhe-se à timidez dos mortais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Apenas um ser permanece ali, distante&lt;br /&gt;E estranho diante das sombras curvadas;&lt;br /&gt;Diferente, mas tão próximo a elas.&lt;br /&gt;Ele - aglutinador e consolador de todas!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele é o Mago, o instigador das marionetes,&lt;br /&gt;Ser primordial que já avançou além do amplexo da dor.&lt;br /&gt;Retorna a si mesmo – para a alquimia do estático,&lt;br /&gt;E olha mais uma vez o horizonte onde tudo é silêncio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ah, fragmentos! múltiplos rostos!&lt;br /&gt;Essas paragens de minha alma,&lt;br /&gt;Onde transitam as multidões&lt;br /&gt;E a solidão branca impera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114693656586697580?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114693656586697580/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114693656586697580' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114693656586697580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114693656586697580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/05/o-mago_114693656586697580.html' title='O Mago'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114628480410747583</id><published>2006-04-29T01:14:00.000-03:00</published><updated>2006-04-29T02:03:03.013-03:00</updated><title type='text'>O complexo mundo do vinho</title><content type='html'>texto embasado em transcrição de artigos de páginas da internet&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando temos, em mãos, um copo de uva fermantada -  o vinho - , estamos diante de um mundo complexo, dentro do cálice. E, geralmente, não nos damos conta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma pesquisa e um maior aprofundamento nesse assunto mostra-nos que o olfato e o paladar são capazes de propiciar-nos sensações enlevadoras, comparáveis à pintura (visão) ou à música (audição).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora eu não seja conhecedor desse assunto, posto aqui um pouco do que se pode saber sobre isso, para começar - como eu. Mesmo que você não beba ou não aprecie o vinho - informação cultural - , é importante conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, alguns termos: qual é a diferença entre: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;enólogo&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;enófilo&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;sommelier&lt;/span&gt; ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;enólogo&lt;/span&gt; é formado na faculdade de enologia (a ciência que estuda os vinhos), é o técnico especialista em técnicas de vinificação e produção de vinhos. Normalmente trabalha na vinícola. Ele acompanha o desenvolvimento da videira, sua colheita, a fermentação do vinho, seu envelhecimento e seu envasamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;enófilo&lt;/span&gt; é um estudioso do vinho (ou amante). Aprecia e valoriza essa bebida, ou, ainda, se dedica profissionalmente ou por prazer a estudar o maravilhoso mundo dos vinhos. É o crítico da bebida. Degustador. Amante. Enófilo é diferente de enólogo, devido ao fato de que o enólogo é um graduado que cuida da produção de vinhos exclusivamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;sommelier&lt;/span&gt; é um conhecedor do vinho. É ele que pode auxiliar, num restaurante, por exemplo, na escolha de um rótulo para acompanhar determinado prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Enólogo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enologia é a ciência que estuda todos os aspectos relativos ao vinho, desde o plantio, escolha do solo, vindima, produção, envelhecimento, engarrafamento, venda, etc. Existem pouquíssimas faculdades de Enologia, estando as principais na França. Assim, o enólogo é o profissional graduado que cuida de todo o processo de vinificação (processo em que a uva se transforma em vinho), e é também o responsável por decidir quando o produto será vendido. A Enologia é uma ciência moderna que reúne os conhecimentos o conhecimento científico relativos a diversas áreas para se estudar os fenômenos relativos ao vinho. As disciplinas de base para a formação do enólogo incluem a matemática, estatística, geologia, botânica, microbiologia, física, marketing, economia, climatologia, química, etc. Além das disciplinas voltadas para a prática da enologia como a vinificação, viticultura, marketing de vinhos, operações unitárias relacionadas a elaboração do vinhos, controle de qualidade e análise sensorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem pouquíssimas Faculdades de Enologia na América do Sul. Segundo alguns, a melhor delas localiza-se em Mendoza, Argentina e Bento Gonçalves, Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sommelier&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sommelier já aparecia operando entre os assírios e babilônios, e também na época das primeiras dinastias faraônicas. Na civilização grega, esse personagem era conhecido como "arconte" ou "simposiarca" - vamos encontrá-lo justamente nos "simpósios" , com a função específica de administrar o serviço e escolher os jarros e taças para o vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época da Roma Imperial, localizamos o mesmo indivíduo operando durante os "prandii" (banquetes, refeições), com o nome de "Rex bibendi". Nos séculos seguintes, principalmente na época do Renascimento, todos os nobres tinham um "copeiro", auxiliado por um "garrafeiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em 1700, esse profissional aparece citado nos editos do duque de Savóia, com a denominação de "Somegliere di bocca e di corte" e, em sua atividade, portava um anel com as iniciais ducais para lacrar os barris sob seus cuidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem-se notícias e detalhes da atividade dessa personagem, em todos os banquetes nas cortes européias, até chegarmos à época da grande cozinha francesa, que impôs ao mundo toda uma terminologia própria - "maitre", "chef de cuisine" - sempre utilizada na língua original.. Assim também nasceu a expressão "Sommelier";&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, transcrição de dois textos da Alexandra Corvo, especialista em vinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Para que serve um sommelier&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte da degustação é, infelizmente, às vezes, muito mal compreendida. Apesar da profissão de sommelier - ou a de degustador - ser vista como glamourosa e bacana, quando se trata de analisar um vinho aromática e gustativamente, normalmente as pessoas tornam-se um pouco arredias. De fato, para um amador, basta que o vinho seja de seu gosto - para que mais? Uma análise mais profunda da bebida gera certa repulsa em relação aos termos empregados, que soam muitas vezes pomposos, e aos critérios de avaliação, que às vezes podem soar pedantes e incompreensíveis. Mas tal trabalho existe (é o meu, por exemplo) e tem utilidade prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sommelier é o profissional responsável, seja em um restaurante, empório, loja ou importadora, por fazer a ponte entre o produto e o consumidor. Ele deve conhecer profundamente seus vinhos para poder transmitir, ou ainda traduzir em palavras, tudo o que o vinho pode oferecer ao cliente. Para isso deve estudar as regiões produtoras de todo o mundo, seus climas, suas culturas e suas histórias. Apenas assim pode-se entender tudo o que um vinho significa no aspecto mais amplo. Além de conhecer bem a parte teórica, o sommelier deve aplicar-se de forma intensa à degustação e, sinto muito, isto não quer dizer tomar vinho todos os dias. Reconhecer os aromas dentro da taça pode ser um trabalho árduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os aromas que se desprendem vêm de moléculas aromáticas ligadas e formadas durante os diferentes processos de vinificação. Estudos demonstram que um vinho tinto pode ter até 600 moléculas aromáticas diferentes, os brancos, um pouco menos. Como encontrá-las se não temos uma memória olfativa bem exercitada? Quando, por exemplo, digo que senti aroma de terra molhada, a piada é sempre a mesma "Você já comeu terra molhada?". Bem, não. Mas já parei muitos dias da minha vida, peguei a terra molhada e a cheirei. Muitas vezes. Até poder guardar seu aroma no cérebro e poder reconhecê-lo numa taça. Um exemplo: quando crianças, como aprendemos os nomes das cores? Nossos pais ou professores nos mostram a cor e apontam: isto é azul, isto é verde e assim vai. O mesmo com as formas geométricas ou com as letras mais tarde. É a repetição, o exercício, que nos faz fixar certas informações no cérebro para aplicá-las mais tarde em diferentes situações. Mas, infelizmente, não aprendemos a reconhecer os diferentes aromas. E é claro, se não sabemos bem os aromas dos diversos produtos, como reconhecê-los depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A degustação do vinho, ou análise sensorial, trata de buscar a riqueza (ou às vezes a pobreza) aromática de um vinho. Ela não se baseia no gosto pessoal do bom profissional. Muitas vezes dou mais pontos para vinhos que, pessoalmente, gosto menos. Ou seja, analisar um vinho profissionalmente significa conseguir sentir o máximo de sua expressão no copo. Quando dizemos sentir um aroma ou outro, não é fruto de nossa imaginação, é simplesmente memória. Um bom sommelier deve passar todas as horas de seu dia prestando forte atenção aos cheiros das coisas. De manhã o café, o pão fresco, depois tostado, a fumaça dos carros, o silicone do banco do carro, a tinta da caneta, as flores na rua, a casca das árvores, o vapor que desprende do cimento depois da chuva, as frutas na feira, os legumes, o arroz, o feijão, as pimentas, tipos de comida, as carnes, o osso da carne... Percebem? Se não fazemos isto, não criamos uma memória de aromas para podermos reconhecê-los mais tarde dentro de uma taça de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na boca (ler coluna) também devemos desmembrar o vinho em vários pedacinhos. Acidez, taninos, volume, sabores, flaveur, álcool. Quando bebemos algo, passamos os líquidos diretamente do copo para a garganta. Ninguém fica com suco de laranja, café, ou o que seja, passeando pela boca, experimentando as diferentes sensações que nos podem proporcionar. Engolimos. Pior ainda quando se trata de beber com canudinho! A análise gustativa baseia-se nos quatro sabores (salgado, doce, amargo, ácido), mais a flaveur que dá o gosto. Aqui as referências não vêm tanto do exterior mas da própria experiência da degustação do vinho, pois a presença do álcool nos obriga a aprender a degustar diferentemente de produtos que não tem álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda esta análise objetiva do vinho de nada serve se não somos capazes de, depois de desmembrar um vinho, reconhecer sua totalidade. E aqui somos um pouco mais subjetivos, porque é a parte da degustação que requer interpretação. As perguntas são: ele é típico da região de onde vem (só saberemos responder depois de degustar muitos da região e saber o que é típico e o que não é)? Ele está equilibrado? Se está desequilibrado, será porque está muito jovem e necessita de garrafa? Ou estará velho, passou da idade? Se o vinho está bom, está dentro do preço sugerido? Vale o quanto custa? Cumpre seu objetivo? Ou seja, depois de analisar cada parte do produto, devemos olhá-lo como um todo. É um círculo que analisa o todo pela parte e a parte pelo todo. E, aqui, o critério da sensibilidade se torna também um critério de conhecimento. E neste ponto o estudioso se separa do amador, para quem normalmente basta que o vinho esteja bom desde seu ponto de vista. O sommelier sente a necessidade de entender e comprovar como se dá a harmonia do vinho para passá-la a seus clientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse, é importante que para sermos bons degustadores deixemos nosso gosto pessoal de lado. É o que não acontece com o crítico norte-americano Robert Parker que, apesar de ser um exímio degustador e altamente sensível, tem um gosto bastante específico. Assim, acaba dando pontuações mais altas para vinhos que são de sua preferência. Muitas vezes, vinicultores tentam produzir vinhos que se encaixem no gosto de Parker, esquecendo das particularidades do terroir, aniquilando o fator tipicidade (que deve ser um critério de análise). Há, de fato, um fenômeno atual dentro do mundo do vinho chamado "parkerização", que constitui a padronização dos sabores da bebida a fim de agradar o influente crítico, ganhar mais pontos e vender mais. É compreensível e totalmente normal um produtor querer vender seus vinhos, mas identidade também é importante na qualidade de um vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos amadores sugiro que confiem no seu paladar e pratiquem a degustação de todos os produtos alimentícios que lhes venha à mão, criando assim sua própria memória olfativa. Descobrir aromas numa taça de vinho é um prazer que deve ser aproveitado por todos, é direito de todos. A democratização da cultura do vinho virá com o aprendizado por parte dos consumidores de como apreciá-lo. Deixem a parte exaustiva aos profissionais. Degustar é uma brincadeira divertida, o vinho existe para ser tomado, vivido, brindado, celebrado, compartilhado. Não há certo ou errado. Divirtam-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O que é um vinho bom para mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já conversamos aqui na minha coluna e na sessão de perguntas e respostas sobre o que devemos procurar em um vinho, como se deve degustá-lo e quais as características gerais que devemos levar em conta na qualidade da bebida. Falamos de brancos, tintos, rosés, espumantes, porto, orgânicos, enfim, de variados tipos. Já comentamos também o vinho certo para cada ocasião, bolso e estação do ano. Gosto de ser objetiva ao dar uma informação ao consumidor, por isso deixo de lado minhas preferências na hora de escrever, levando em conta apenas o que o vinho é, e não o meu gosto pessoal. Pois então, agora gostaria de ir além. Em vez de fechar o ano com uma tradicional retrospectiva, selecionando os fatos mais marcantes de 2005, queria contar para vocês como eu gosto do vinho, ou seja, o que é um vinho bom para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi lendo meu ídolo, o jornalista e crítico inglês Hugh Johnson, que cheguei a uma conclusão de como eu podia destacar os rótulos que mais gostava. Para ele, os melhores vinhos são aqueles sobre os quais se tem algo a dizer, ou melhor, se tem muito para dizer. Reparei então que assim com Johnson, os vinhos de que eu mais gostava, independente da avaliação técnica, ocupavam muitas linhas nas minhas anotações. Os vinhos que mais me impressionaram na vida não apenas diziam muitas coisas, mas diziam coisas interessantes durante horas. Eu percebi que aromaticamente ao longo de um jantar ou de uma degustação, ela ia evoluindo, mudando de aromas, logo voltava aos primeiros, depois passava para outros mais complexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom exemplo é um Bordeaux 2000 (Château Giscours) que tomei há duas semanas, que realmente estava um pouco jovem para ser tomado, mas me impressionou. Quando abri a garrafa era um típico bordeaux novo, com muita madeira elegante, café, fava de baunilha e toffee. Quase não senti a fruta, era um pouco sufocante. Na boca estava duro, com taninos severos. O tempo (ou o oxigênio), que muitos chamam de "rei", fez seu trabalho. Decantamos o vinho, esperamos trinta minutos e servimos de novo. Já mostrou um floral, ainda tímido, mas com vontade de se expressar. Deixamos na taça e fomos percebendo o que ia acontecendo. Saiu o clássico cassis com ameixas pretas. Mas o floral foi o que mais impressionou. Primeiro mostrou um aroma de rosas, logo era lavanda e depois me nocauteou com um perfume de jasmim que eu jamais esperava encontrar em um tinto. Tudo isso saindo por detrás do forte aroma de pó de café e cacau, canela e muita ameixa preta. Durante quase três horas, continuou evoluindo. Só não evoluiu mais porque acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro caso que me surpreendeu foi um Muscat Sec, feito na Alsace - Domaine Weinbach, safra de 1996 (nove anos de idade!). Confesso que quando abri a garrafa o vinho estava bastante triste. Quase sem aromas, apenas um ligeiro mineral, mas bem discreto. Pensei que havia chegado "sua hora". Na boca, porém, revelava uma vivacidade impressionante, com acidez incrível, o que me fez acreditar que estava vivo. Quando ganhou uma certa temperatura, e com o contato com o oxigênio, abriu-se de tal forma que fiquei emocionada. De repente, um tom forte de giz, mineral, mas com mel, flores brancas do tipo lírio, com um cítrico lindíssimo de laranja, muito sedutor. Era, sem dúvida, um branco feminino (atenção aqui para não confundir com o que se chama vulgarmente por aí de vinho "para mulher"). Tinha uma clara alma feminina, delicada mas forte, imprevisível, mutante, misteriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre defendo os vinhos do dia-a-dia, com bom preço, mais simples, que acho que devem ser tomados. Não me agrada a pompa que se forma em torno desta bebida, mas em se tratando de preferência pessoal, o que eu gosto de tomar são vinhos de profundidade - muita profundidade - , que normalmente encontro em tintos e brancos maiores. Os vinhos rasos e simples demais me cansam às vezes, me deixam de mau humor quando quero algo maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto de complexidade, de densidade, de mistério. Fico curiosa quando não entendo o que está na taça e me permito uma segunda chance, podendo descobri-lo em profundidade. Adoro reconhecer, em garrafas que parecem já não dizer nada, toda uma complexidade, tanto aromática quanto gustativa. Amo mergulhar nas profundezas do vinho e poder sentir nele seu terroir, ligar seus cheiros ao lugar de onde vem, à uva, ao estilo do produtor. Pois é, leitores, vinho bom para mim, é isso.&lt;br /&gt;________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem... como vimos, é possível "viajar" (não no mundo da embriaguez, mas da sensação que nos permite uma arte, da mesma forma que a música ou a pintura) tendo, às mãos, uma taça com essa bebida dionisíaca. Um bom vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Degustar. Com moderação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um brinde às sensações desconhecidas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/1600/vinho.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6796/2186/400/vinho.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fontes: &lt;br /&gt;Wikipédia - a enciclopédia livre&lt;br /&gt;&lt;a href=""&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Babilônia&lt;br /&gt;&lt;a href=""&gt;http://www.babiloniaonline.com.br/?system=news&amp;action=read&amp;id=17&amp;eid=142&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Paulo Nicolay&lt;br /&gt;&lt;a href=""&gt;http://www.clubhabitue.com.br/site/conteudo-detail.cfm?IDconteudo=8284888951005&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Corvo, colunista da Veja&lt;br /&gt;&lt;a href=""&gt;http://vejinha.abril.com.br/bares_restaurantes/vinhos_colunista16.shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=""&gt;http://vejinha.abril.com.br/bares_restaurantes/vinhos_colunista23.shtml&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Corvo é formada Sommelière pela Ecole d'ingenieurs Oenologiques de Changins, na Suíça e ministra cursos para amadores e profissionais.&lt;br /&gt;Contato para cursos: 3891 16 90 / 9103 0838 Email: alexandracorvo@uol.com.br &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja, ainda, esse interessante artigo, sobre a arte de degustar:&lt;br /&gt;Degustação de Vinhos&lt;br /&gt;&lt;a href=""&gt;http://www.academiadovinho.com.br/degustacao/degusta.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Página principal (Academia do Vinho): &lt;a href=""&gt;http://www.academiadovinho.com.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Não sou iniciado na arte da desgutação de vinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114628480410747583?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114628480410747583/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114628480410747583' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114628480410747583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114628480410747583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/04/o-complexo-mundo-do-vinho.html' title='O complexo mundo do vinho'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114599124045190169</id><published>2006-04-25T15:53:00.000-03:00</published><updated>2006-04-25T16:03:28.226-03:00</updated><title type='text'>Tão rápido quanto a fala</title><content type='html'>UM DOS ESTENOTIPISTAS MAIS RÁPIDOS DO MUNDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que você seja realmente hábil no teclado do seu computador, não consegue digitar mais que 70 palavras por minuto sem cometer erros. Imagine agora alguém capaz de transcrever um texto falado ao ritmo de 280 palavras por minuto, equivalente ao da narração de um jogo de futebol pelo rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o desempenho daquele que é considerado um dos melhores estenotipistas do mundo, o norte-americano David A. Kasdan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proeza quase inacreditável de Kasdan só é possível graças à combinação entre a sua peculiar habilidade e a eficiência da "steno machine", chamada no Brasil de estenótipo. Trata-se de um sistema de apenas 24 teclas que não reproduz as palavras letra a letra, como no teclado "qwerty" tradicional,mas em conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, por exemplo, o prefixo "psycho" resulta do acionamento simultâneo das teclas S, K, O e E, exigindo apenas um movimento dos dedos para ser registrado, contra os seis movimentos necessários no "qwerty" para obter o mesmo resultado. Outra vantagem é o tamanho reduzido do teclado, que evita o deslocamento das mãos - apenas os dedos se movem. Pode-se, também, programar a máquina para simplificar o registro de termos que se tornem freqüentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A soma de tudo isso proporciona um enorme ganho de tempo, desde que à frente do teclado esteja um virtuose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É um trabalho semelhante ao de um pianista, com o mesmo nível de concentração, velocidade e resistência física", compara Kasdan, que desde o início da carreira é funcionário da "Miller Reporting Company", uma das principais consultorias de Washington especializadas na área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A qualidade do trabalho de um "court reporter" não se dá apenas pela velocidade de transcrição, no entanto. Esse é, na verdade, um aspecto secundário, já que o ritmo dos pronunciamentos em um tribunal costuma ficar bem abaixo da capacidade de profissionais do nível de Kasdan. Mais importante é evitar erros de grafia e reduzir ao máximo as pendências a serem resolvidas na revisão. Isso depende, claro, de um excelente domínio do idioma e de uma carga considerável de conhecimentos gerais, requisitos para que o profissional saiba, de bate-pronto, como escrever as palavras que estão sendo ditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freqüentar tribunais ao redor do mundo - já foram mais de 20 países visitados - concedeu a Kasdan mais um diferencial: a capacidade de lidar com diferentes sotaques. "Os mais difíceis de entender são o francês e os asiáticos. E o inglês falado por brasileiros é mais fácil de entender que o falado por portugueses", compara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por Maurício Oliveira, de Washington&lt;br /&gt;Colaboração do Maestro Edson Frederico&lt;br /&gt;citado em "Gente da Música" (fórum-e-mail de Artur da Távola)- das.culturas@terra.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114599124045190169?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114599124045190169/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114599124045190169' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114599124045190169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114599124045190169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/04/to-rpido-quanto-fala_25.html' title='Tão rápido quanto a fala'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114582986237475473</id><published>2006-04-23T18:58:00.000-03:00</published><updated>2006-04-23T19:06:32.326-03:00</updated><title type='text'>Novidades, em breve...</title><content type='html'>Prezados leitores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos algum tempo sem postar, mas logo teremos algumas novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma entrevista com o pianista Bernardo Scarambone (berber), poema do escritor Aílton Rocha, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos fazendo também um trabalho de divulgação de artistas brasileiros. Alguns nomes virão à tona. Aguardem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114582986237475473?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114582986237475473/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114582986237475473' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114582986237475473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114582986237475473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/04/novidades-em-breve.html' title='Novidades, em breve...'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114419561007016065</id><published>2006-04-04T21:02:00.000-03:00</published><updated>2006-04-04T21:25:36.883-03:00</updated><title type='text'>Cicatrizada</title><content type='html'>Esse é o meu primeiro poema. Escrevi-o quando tinha, então, 17 anos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cicatrizada enfim a ferida&lt;br /&gt;Que o amor e a ilusão provocou&lt;br /&gt;Turbulento momento da vida&lt;br /&gt;Mas isento ao tormento já estou&lt;br /&gt;Hoje sei que perdi, mas venci&lt;br /&gt;Que derrota e vitória vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se noites em vão eu perdi&lt;br /&gt;Dias úteis eu quero ganhar&lt;br /&gt;Se por fúteis motivos sofri&lt;br /&gt;Quando era cativo vulgar&lt;br /&gt;Hoje tenho meus olhos abertos&lt;br /&gt;Da cegueira enfim estou liberto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson Paiva - 1997&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114419561007016065?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114419561007016065/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114419561007016065' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114419561007016065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114419561007016065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/04/cicatrizada.html' title='Cicatrizada'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114394529053502447</id><published>2006-04-01T23:28:00.000-03:00</published><updated>2006-04-06T17:39:48.263-03:00</updated><title type='text'>A luz da sombra</title><content type='html'>É nas trevas da fria&lt;br /&gt;e serena sombra&lt;br /&gt;que os olhos, submersos,&lt;br /&gt;em repouso, a luz encontram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as cores, mais nítidas&lt;br /&gt;são sentidas, em ardor&lt;br /&gt;à flor da pele, vivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gélida chama&lt;br /&gt;qual um gelo, gelo ardente&lt;br /&gt;com insistência latente.&lt;br /&gt;em peito, arde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em sombria penumbral&lt;br /&gt;na grata solidão&lt;br /&gt;com um doce amargor&lt;br /&gt;a dor, a dor a vida espelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um frescor noturno...&lt;br /&gt;melancolia&lt;br /&gt;nostalgia, sonho, adeus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não ser, porém sentir&lt;br /&gt;triste, triste, só sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson Paiva - 01/04/2006 (alterado em 06/04/2006)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114394529053502447?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114394529053502447/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114394529053502447' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114394529053502447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114394529053502447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/04/luz-da-sombra.html' title='A luz da sombra'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114341707115450003</id><published>2006-03-26T20:46:00.000-03:00</published><updated>2006-03-30T17:30:18.726-03:00</updated><title type='text'>1685: BACH, HANDEL e SCARLATTI</title><content type='html'>Esse texto é do meu amigo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aílton Rocha&lt;/span&gt;, poeta e escritor. Segue sua introdução e desenvolvimento:&lt;br /&gt;_______________________________________&lt;br /&gt;O breve ensaio que aqui se faz presente foi encomenda do amigo Edgard Brito – compositor, pianista e professor de história da música – com o objetivo de introduzir seus alunos pelas vias da fascinante música barroca. Que os mais experimentados no assunto me perdoem os momentos em que a paixão pela arte carrega-se de cores, sacrificando o estilo sóbrio da imparcialidade histórica.&lt;br /&gt;_______________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1685: BACH, HANDEL e SCARLATTI&lt;br /&gt;Ailton Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de 1685 é considerado uma dádiva para os amantes de música, principalmente os da música barroca. Três gênios nasceram sob o auspicioso sol desse ano: Bach, Handel e Scarlatti, o Domenico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é novidade alguma: Bach é um marco na história da Música. Foi pouco conhecido em vida como compositor, porém nos anais da época já se falava dele como um organista, o maior de todos. Hoje, através das partituras, sabemos que é a maior obra para órgão de que se tem notícia, e mais: a Obra de Bach, em sua totalidade, é a culminância do que a música erudita chegara até então. Até a morte, em 1750, Bach é a confluência de todos os estilos e técnicas dos períodos anteriores. É, de fato, a súmula da Música até aquela data!!! E, como importância artística, muitos dizem: é a maior de todos os tempos, perdendo em importância histórica apenas para a obra de Beethoven, já que esta delimitou todo um comportamento musical da humanidade; ultrapassando o campo da arte atingiu aspectos sociológicos e filosóficos, focalizando a individualidade do criador como o cerne da obra criada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é exagero o epíteto: Bach e Haendel, os dois gênios alemães, pilares do século XVIII! Além destes, poderíamos citar Telemann, músico competentíssimo, porém na maioria das vezes apenas artesão. Haydn e Mozart eram austríacos. Beethoven ainda não escrevera as suas obras-primas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em questões de profundidade, não é possível fazer comparações entre os dois maiores músicos alemães do século XVIII: Bach e Haendel (ou Handel para os ingleses). O primeiro, em tudo que compôs, é muito mais profundo do que o segundo. No entanto, Handel é mais brilhante, no sentido de nos arrebatar de imediato. Bach, de tão profundo que é, às vezes chega a nos deixar exaustos. Em Bach sentimos cargas e cargas de profunda emotividade religiosa e complexidade artística que nos exaurem. Em Handel há uma liberação natural do êxtase, do luminoso, do júbilo, que não nos exige concentração excessiva, excetuando, é claro, a maioria de seus oratórios, que muito nos pedem de atenção, devido ao dramatismo condensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Bach é a súmula da Música escrita até os meados do século XVIII, então, podemos dizer que Handel é, especificamente, a súmula do período Barroco. Quem quiser estudar o Barroco em suas linhas gerais, deve estudar a Obra de Handel, pois nela concentram-se todos os estilos em voga nos séculos XVII e XVIII, peculiares a cada país - o italiano, o francês, o alemão e o inglês. A Alemanha está nas obras sacras iniciais; a França dos Couperin está resumida nas suítes para cravo bem como nas suítes orquestrais; a Itália dos Scarlatti, nas óperas; nos Concertos Grossos concentram todas as tendências desde Stradella e Corelli a Geminiani; a Inglaterra de Purcell é revivida nos anthems, maskes e odes comemorativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para iniciar o estudo de Handel deve-se primeiramente tomar como ponto de referência a personalidade do homem e as tendências psicológicas do artista: Handel possuía natureza cosmopolita e tinha como objetivo a arte de espetáculos. É muito importante ter isso em mente. Ele não podia e nem queria fazer uma música excessivamente profunda como era a obra religiosa de Bach, concentrada no reduzido espaço das igrejas luteranas da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve-se iniciar o estudo de Handel pela sua Música de Cena, ou seja, a Ópera. O compositor voltou-se integralmente para o Oratório somente quando não foi mais possível se dedicar à sua expressão preferida, a música cantada em palco com cenário. Mas em Handel há pouquíssimas diferenças entre os dois gêneros vocais: o encenado e o não encenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do gênero dramático, para compreendermos Handel, só mesmo estudando a outra característica fundamental de sua obra: a voz. Apesar da preferência pela expressão teatral, foi, devido à sua Música Vocal não encenada, principalmente os seus Oratórios, também verdadeiros dramas, que ele passou definitivamente para a História da Música. São os maiores e mais geniais já escritos, surgindo daí a necessidade de estudá-los minuciosamente. São tantos no catálogo que nos perdemos à primeira vista, mas os maiores continuam sendo estes: ‘Saul’, ‘Samson’, ‘Israel in Egypt’ (diferente, com total prioridade aos coros, contendo poucos trechos de voz solista) e o monumental e mais elaborado de todos ‘Judas Maccabeus’. E, por fim, o ‘Messiah’, ápice dentre todas as obras de Handel, principalmente pela sua característica mais sublime: a espontaneidade. Se tivesse escrito apenas esse oratório já lhe estaria assegurada a imortalidade. Há outros, como os referidos acima, que estão no mesmo nível, mas a fluência e o frescor dessa obra relatando a vida de Cristo com tanta ternura a distinguem de todas as outras. Nem as elaboradíssimas cantatas que formam o ‘Oratório de Natal’ de Bach conseguem suplantar o Messiah de Handel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Handel, portanto, era artista essencialmente vocal. Quando escrevia música instrumental era com um pouco de má vontade, embora jamais tenha sido pequeno nesses gêneros. Os Concertos para Órgão eram bastante populares em sua época, porque Handel os executava antes da publicação como aberturas e interlúdios das óperas e de alguns oratórios. Os Concertos Grossos, a melhor parte de sua produção orquestral, juntamente com algumas suítes, são peças brilhantemente construídas sem, contudo, demostrarem inovações. Da mesma forma são as obras para cravo e as obras de câmara. As Sonatas Op. 1 são obra didática, mas bem diferente das de Bach, que se dedicava conscientemente ao ensino, considerando-o como uma das funções mais importantes de sua vida. (É impressionante a sua dedicação na idade madura e, depois, na velhice, aos dois livros do Cravo Bem-Temperado). Handel, não. Dedicava-se ao ensino somente nas horas de folga, para atender pedidos de algum editor ou de nobres que lhe mostravam contentamento, sabendo dos filhos aprendendo com o mestre. Na maioria das vezes, compunha para os gêneros instrumentais mencionados mais para satisfazer os seus interesses financeiros, pois a venda de partituras de obras nessa área retornava-lhe dinheiro mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os hábitos do músico e do homem Bach eram, de certa forma, provincianos. Viveu toda a vida na Alemanha em um círculo espacial restrito: Eisenach e arredores, Weimar, Koethen, depois Leipzig. Já Handel, o grande Urso Branco, conforme os contemporâneos o chamavam, era homem inquieto que gostava de viajar: deixou presença na Alemanha, Itália e Inglaterra. Sentia-se um cidadão do mundo. A sua devoção era o palco, a sua manifestação artística era a dramática, e o seu principal instrumento de expressão era a voz. Eis as características handelianas: cosmopolitismo, teatro, voz humana (em coro ou isolada). E Luminosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre Vivaldi escreveu música maravilhosamente luminosa! Luminosos são os Concertos de Brandenburgo de Bach - a música mais feliz e perfeita que já se escreveu. Mas a luminosidade mais poderosa é a de Handel - aquela que nos arrebata, que nos hipnotiza e nos faz cantar junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo ano de 1685 em que na Alemanha nasciam Bach e Handel, também surgia em Nápoles, a 26 de outubro, o genial Domenico Scarlatti, filho de outro importante músico, o Alessandro. O pai, famosíssimo na Itália, inibiu o talento do filho durante muito tempo. Apesar de receber encomendas de missas para a Basílica de São Pedro em Roma e óperas para Veneza e Nápoles, as obras do compositor filho, principalmente aquelas da juventude, eram apagadas e comuns. A poderosa sombra paterna o perseguiu até o momento da libertação: ao morrer o pai, Domenico nasceu artisticamente. Começou a compor peças para cravo enquanto ensinava a princesa Maria Bárbara, primeiramente em Lisboa, depois Sevilla e Madrid, quando ela se tornou rainha de Espanha. Scarlatti acompanhou-a e, semelhante a Handel em relação a Inglaterra, o compositor napolitano adotou sinceramente a Espanha como segunda pátria. Essa terra ensolarada com a presença musical dos gitanos foi uma revolução em sua arte: somada à sua genialidade, tudo que viu e assimilou do país transformou-se em uma das mais ricas músicas de que se tem notícia. A obra para cravo de Domenico Scarlatti é de uma prodigiosa verve rítmica e de uma criatividade melódica tão inovadora que sempre há de nos espantar e maravilhar. É sempre risível o ato de colocar obras e artistas em pódios como se fossem desportistas em competição, mas em alguns casos não há como evitar. Scarlatti é o maior compositor para cravo de toda a história da música. Nem mesmo a complexa inventividade de Bach consegue suplantá-lo. Não há como escolher as melhores entre as mais de 500 peças para esse instrumento que ele escreveu. Então não escolha! Ouça-as indiscriminadamente que o lucro será o mesmo, sem deixar de lado a lembrança: elas não foram compostas para serem executadas no piano, mas sim no cravo, onde elas brilham com a natural intenção do compositor. Tenho certeza de que se pudéssemos conhecer todas elas, perguntaríamos: por que ele não escreveu mais 500 obras assim? Guardada a diferença de gêneros, considero-as, pelo alto nível artístico, tão versáteis e magistrais quanto as cantatas de Bach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, por exemplo, e isso é ato individual, quando preciso de energia rítmica, dinamismo aos atos do cotidiano ouço Domenico Scarlatti, que me impulsiona e vitaliza. Nos momentos em que sinto vontade de compenetração para mergulhar nos interiores íntimos da fé, da reflexão ao êxtase dos mistérios, empreendendo jornadas em busca do interelacionamento Criador e Ser criado, ouço Bach. Quando quero a expansão, o vôo através de livres panoramas sem filosofar sobre o motivo do céu ser azul e verdes serem as relvas, apenas sentir a presença do sublime e natural êxtase, ouço Handel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, a verdade é que não se resume a arte de tão grandes compositores em tão breves palavras. As analogias são imperfeitas da mesma forma que são inexatas as definições - jamais podem dar total idéia da individualidade de cada um, porque cada autor ou obra tem a sua voz própria e distinta; além disso, cada ouvinte percebe as nuances de modo diverso. A música de Johann Sebastian Bach, Georg Friedrich Handel e Giuseppe Domenico Scarlatti sempre hão de nos levar a êxtases diferentes e renovados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas curiosidades históricas para terminar esta breve explanação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bach e Handel, os dois maiores músicos alemães do século XVIII, nunca se encontraram, embora tenham nascido com diferença de menos de um mês um do outro (o primeiro a 21 de março, o segundo a 23 de fevereiro), e em cidades cuja distância não ultrapassa os 40 km (Eisenach e Halle). Bach sentia uma profunda admiração por Handel, que era muito mais famoso devido às óperas constantemente apresentadas em Londres e na Europa. Certa vez, Bach locomoveu-se até Halle para conhecer Handel, pois recebeu a notícia de que o Urso Branco procurava cantores para sua nova ópera, e aproveitava o tempo para visitar a mãe. Mas uma ironia do destino providenciou para que houvesse o desencontro. Ao chegar na cidade, Handel já havia partido de regresso à Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Handel, entretanto, quando de suas andanças pela Itália, tornou-se grande amigo de Domenico Scarlatti. Ambos eram jovens de 23 anos com a cabeça imersa em sonhos e ambições musicais. Em 1708, os dois compositores e virtuoses do teclado se conheceram em Veneza e juntos seguiram viagem para Roma. Nem imaginavam que iam registrar perenemente os respectivos nomes nos anais da história da música, e nem podiam imaginar que o destino os levaria para outros lugares, países que adotariam como pátria, onde morreriam distantes dos locais de origem: um, na Inglaterra; o outro, na Espanha. Embora não tivessem se encontrado de novo, a amizade durou a vida toda, através de cartas assíduas, permanecendo a mútua admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegará o tempo em que não mais existirão as demarcações territoriais que distinguem uma terra chamada Inglaterra, ou Alemanha, ou Itália, ou EUA. Outros povos ali habitarão, com outros hábitos e denominações, com sentimento de pátria e idiomas irreconhecivelmente transformados. Porém, seja nos conglomerados urbanos, seja nos cantos mais remotos do planeta, se existirem pessoas capazes de ler e exercitar os escritos musicais deixados pelos mestres, além de outras gentes com sensibilidade e boa vontade o suficiente para soprar na cinza a brasa que a faz viver, então não estará perdida a Grande Música. As artes, entre elas a música, estas sim poderão sobreviver aos mesquinhos propósitos de todas guerras e impérios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114341707115450003?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114341707115450003/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114341707115450003' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114341707115450003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114341707115450003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/03/1685-bach-handel-e-scarlatti.html' title='1685: BACH, HANDEL e SCARLATTI'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114221254359563320</id><published>2006-03-12T22:07:00.000-03:00</published><updated>2006-03-12T23:12:45.936-03:00</updated><title type='text'>Conceitos da arte e música contemporânea</title><content type='html'>Uma vez uma professora de Educação Artística nos perguntou: "O que é o belo?". E acrescentou: "É o mesmo que bonito?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas foram evasivas, e ela nos falou: "Belo é algo que está além do conceito de 'beleza', de 'bonito'. Imaginem uma pintura que represente o sertão nordestino, com as feições de um homem sofrido. Esse quadro representaria a fome, a miséria, a pobreza dessa região pobre do Brasil na figura de uma pessoa que traz em suas feições as marcas do sofrimento. Esse quadro não é bonito. Mas é belo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ela não nos disse com essas palavras. Mas de uma maneira mais breve e singela, ela nos transmitiu exatamente o sentido da paráfrase acima. E essa verdade nunca mais me foi esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hipotética pintura, a figura não seria bonita - o contrário, até. Mas representaria uma VERDADE ESSENCIAL, uma VERDADE HUMANA. São esses valores que transcedem o famigerado e vulgarizado significado de beleza, de estética, e alcançam o sentido de BELO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte deve ser bela, mais do que bonita. E antes que bonita, deve ser VERDADEIRA. Debussy disse: "a arte é mais bela das mentiras", e uma frase de Picasso diz "a arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade". Mas a arte é uma manifestação verdadeira, elevada e sofisticada do ser humano. Uma expressão genuína de aspectos que estão além da linguagem. E para ser verdadeira, a arte deve ser fiel a si mesma e a um ideal, e não pode ser uma cópia, um pastiche. O sentido da arte evolui com a história e - atenção - essa progressão não é o tornar-se "melhor ou pior", como muitos deduzem. É uma progressão natural na linha do tempo. Em parte linear, em parte cíclica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harold Bloom, o mais importante crítico literário da atualidade, diz que todo artista deve superar a influência de seus antepassados. Isto é "re-leitura", é superação, é vencer a "angústia da influência", de que ele trata em seus livros, como o Cânone Ocidental - ainda não li o livro. A arte deve ser verdadeira, e por vezes, até "impura, e deve-se primeiro aprender, para depois esquecer", como sempre lembra o compositor Marlos Nobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PORÉM...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público, o grande público, de nossos dias - o que diz apreciar arte de qualidade -, aprecia somente as formas "clássicas". Na música, é o barroco, classicismo, romantismo e, quando muito, um pouco do modernismo. E... SÓ. Na pintura, na poesia, na literatura, idem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos criticam um Webern, um Schoenberg, Boulez, Ligeti, John Cage, Stockhausen, etc. Mas... antes de criticá-los, não é preciso tentar comprendê-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o sentido da arte? Arte não é algo muito mais profundo do que o "bonito?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como voltar para trás. Não há como voltar a compor em estilo barroco e clássico novamente. A arte não pára, nunca. O pastiche, a imitação e a falsificação são medíocres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve-se se estudar o passado e, orientado nele, assimilando e FILTRANDO influências, deve-se caminhar PARA FRENTE, sempre com novas idéias e experimentações. No meio dos novos passos, muita coisa equivocada pode ficar no caminho, mas o que vale é o aprendizado, e neste campo, mesmo os ERROS são válidos, e levam a algo superior. Não há como CRIAR sem tentar, experimentar, e até, de vez em quando, falhar. Vejamos o caso de Pierre Boulez: o grande público simplesmente não compreende sua música! Mas ele é aclamado pelos profissionais, críticos e musicólogos - os que realmente estudam música a fundo e a conhecem - como um dos grandes compositores do nosso tempo. Fica a pergunta: a arte é só repetição do que se aprendeu a gostar? E como criticar sem, antes, compreender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sagração da Primavera, de Stravinsky foi vaiada em sua estréia. Ninguém entendeu nada, à sua época. Mas hoje ela já está a vencer barreiras, e até mesmo alguns conservadores a apreciam. Mahler, quando foi incompreendido, disse que sua música só seria compreendida depois de cinqüenta anos, e assim aconteceu. Van Gogh pintou 879 quadros e só conseguiu vender UM em sua vida. Mas a posteridade o compreendeu e Retrato do Doutor Gacht, um dos seus quadros mais famosos, foi vendido em 15 de maio de 1990 em apenas três minutos de leilão por 82,5 milhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensem: o papel da arte não é algo além do que produzir algo de que já nos acostumados a gostar, e achamos "bonito"? J. S. Bach, além de não ter sido apreciado em vida como compositor, não foi esquecido após sua morte, vindo sua música a ser reconhecida apenas um século depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoal, vamos reconhecer e tentar compreender a música contemporânea! Por que reconhecer só os que já foram? De que adianta, para o compositor, ter sua arte reconhecida postumamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que julgar a música que está sendo produzido agora - ou a música de cinqüenta anos atrás - como "lixo", algo que "não presta", ou "ruim", não é algo pretencioso demais? Com que métier julga-se com tanta facilidade algo que não se conhece, algo que quase não se chegou a ouvir? Como, com tanta facilidade, julgam toda uma época, toda uma geração de artistas profissionais, e conhecedores de seu ofício?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente ignoram, "riscam" as manifestações mais recentes do seu conceito de "arte", e consideram quaisquer que a apreciam como um bando de "pseudo-intelecutuais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que o belo, a verdade essencial não está além do conceito vulgarizado de "bonito", e não é algo mais complexo e elaborado, que está além da capacidade de assimilação do público, transcedendo o conceito usual de "estética"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tentando-se, e dando-se uma chance - primeiramente a si mesmo, e depois, à arte de HOJE, que é a nossa, que é a dos compositores vivos -, tentando-se, com paciência, ouvindo, lendo e estudando, alcança-se o sentido verdadeiro do que é arte, cuja concepção hoje é mais complexa do que há séculos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto há para aprender!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte hoje possui um mui profundo sentido filosófico, e ela esconde significados além do evidente, do superficial. A arte não é um belo mar, bonito, sendo apreciado na superfície juntamente com os pacíficos pássaros e um belo crespúsculo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrem-se de que se o mar é bonito na superfície, mas é nos recônditos e nas profundezas do oceano que se abrigam os verdadeiros mistérios, desconhecidos, e o que há de mais belo. E o público de hoje aprecia o passado, e compreende a sua superfície. Mas a arte de hoje é um oceano incompreendido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114221254359563320?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114221254359563320/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114221254359563320' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114221254359563320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114221254359563320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/03/conceitos-da-arte-e-msica-contempornea.html' title='Conceitos da arte e música contemporânea'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114144077282269958</id><published>2006-03-03T23:47:00.000-03:00</published><updated>2006-03-30T17:31:39.740-03:00</updated><title type='text'>O estereótipo de cada musicista</title><content type='html'>Piadas musicais... são boas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam essas do meu amigo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bernardo Scarambone&lt;/span&gt; ("berber"), doutorando em piano, em Houston:&lt;br /&gt;___________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ESTEREÓTIPO DE CADA MUSICISTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maestro - Sujeito magro, porte austero. Veste-se muito bem, adoraria usar roupas mais confortáveis, mas a imagem não permite. Oculos é obrigatório. Careca (ou quase). Um cara normalmente chato, aquele que só é convidado para o "choppinho de depois do concerto" por obrigação. Olha a todos de cima, mas adoraria ser popular. Suas piadas não têm graça nenhuma, mas todos riem. Em suma, é o idolo do violinista, mas, no fundo&lt;br /&gt;no fundo, admira o trompetista. Carro preto ou prateado do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oboísta - Todo oboísta queria ser maestro, mas a timidez o impede. Sempre muito reservado, necessita ter tudo sob controle. Perfeccionista por natureza.&lt;br /&gt;Dedos finos e cabelo sempre bem alinhado. Fica sempre meia hora depois do ensaio, limpando o instrumento. Vai à manicure, mas é segredo! Seu momento de glória é dar o Lá para afinar a orquestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violinista - Alto, sempre com um pinta de importante. Adoraria ser maestro, mas acha uma posição muito inferior ao seu talento. Considera-se o mais importante da orquestra e tudo que diz reforça essa tese. Antes do ensaio, toca sempre partes do concerto de Brahms, para impressionar os outros violinistas. Quando o maestro chama a atenção de outro naipe, o violinista sempre dá um sorriso sarcástico, quase&lt;br /&gt;imperceptível. Sai de cada ensaio com o orgulho de "dever cumprido" e vai para casa - um apartamento minúsculo -, onde uma foto da mãe está acima do espelho gigante na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violoncelista - É um cara legal. Um amigo para toda hora, mas muito fofoqueiro. Sabe da vida de todos da orquestra. Adora tocar solos de violino nos harmonicos só para irritar os violinistas. Loiro, o cellista é mais charmoso do que bonito. Acha-se um&lt;br /&gt;privilegiado por não ter que levantar no final do concerto e é vaidoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violista - É o coitado da orquestra. Introvertido, olhar triste. O maestro nunca lhe&lt;br /&gt;chama a atenção: afinal a parte a viola não tem importância mesmo. Começou na música com sonhos ambiciosos de ser um violinista de sucesso, mas por falta de talento ou estudo trocou para a viola e, desde então, é um frustrado. Juntamente com o pianista&lt;br /&gt;acompanhador, é um suicida em potencial, mas sem coragem para o ato. Carrega sempre o estojo surrado com a viola e sempre responde com um sorriso amarelo a pergunta "você toca violino?". Um segredo: todo violista tem um bom coração, mas ninguém percebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrabaixista - Baixinho e temperamental. Escolheu o contrabaixo para "impor respeito", mas o tiro saiu pela culatra. Estuda somente nos ensaios, a não ser que tenha que tocar uma peça barroca, onde é o único a tocar o baixo. Acha-se importante por sustentar toda a orquestra, mas na verdade sabe que ninguém o ouve. Sempre com camisa branca e cabelo curto. Toca baixo elétrico secretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violonista - O melhor amigo de todo mundo. Companhia perfeita para o choppinho da tarde. Rabo de cavalo e óculos escuros são pré-requisitos. Relaxado e "eclético", mas odeia ser chamado de guitarrista. Tem vários amigos e várias namoradas. Jura que toca&lt;br /&gt;um instrumento clássico, mas não hesita em aceitar fazer "cachê" em barzinho de bossa nova. Passat velho ou bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pianista acompanhador - Olhar cabisbaixo, terno preto e surrado. Cabelos castanhos e despenteados. Carrega sempre uma pastinha com partituras. Odeia cantores, afinal "Não sabem contar". Autoestima em baixa, é um suicida em potencial. Jura que nunca mais&lt;br /&gt;vai aceitar tocar "em cima da hora", mas sempre aceita uma emergência. Vive com a esperança de que alguém finalmente reconheça seu trabalho duro - o que nunca&lt;br /&gt;acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pianista solista - Cabelo preto e curto. Sempre ocupado porque precisa "estudar". Nunca vai a festas, e, quando aparece, vem sozinho e sai mais cedo. Quando olhamos em seus olhos, nunca sabemos o que está se passando pela sua cabeça. Tem um papo agradável, mas é um alienado em relação a assuntos extra-musicais. Adora comparar gravações de outros pianistas. Tem sempre uma ou duas cantoras apaixonadas por ele, mas está sempre muito ocupado para relacionamentos. Admirado pelos violinistas, acha tocar música de câmara uma perda de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organista - Cabelos completamente desalinhados, barba por fazer. Sempre correndo de um lado a outro carragando dezenas de partituras fora de ordem. Vive num mundo à parte. Óculos somente para leitura. Roupas amassadas e surradas. Um desavisado diria que é um professor de química ou um gênio incompreendido. Odeia pianistas. Solitário, mas fala pelos cotovelos, quando o assunto é dedilhado ou afinação da Renascenca.&lt;br /&gt;"Deus é Buxtehude, Bach já foi prostituído pelos pianistas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harpista - Mulher, magra, e bem branca, com cabelos desalinhados. Muito tímida, nunca é vista entrando ou saindo dos ensaios, mas está sempre lá. Usa sempre vestidos compridos e meio "fora de moda", mas tem um sorriso simpático. Seu carro tem vários&lt;br /&gt;adesivos com harpas por todo lado. Adora chat rooms. Ninguém conhece seu namorado, mas ele está sempre por perto para colocar a harpa no carro depois do concerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trombonista - Cabelo castanho e um pouco acima do peso. Sempre com uma piada na ponta da língua, o trombonista adora churrasco e a companhia de amigos. Adora Mahler, acha Beethoven meio devagar e morre de medo do Bolero de Ravel. Tem pelo menos um cachorro&lt;br /&gt;em casa e sempre que pode coloca um glissando só pra "dar um toque especial".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trompetista - Adora sair para tomar cerveja com os amigos. Chega sempre atrasado no ensaio, mas nunca ninguém percebe. Os churrascos são sempre na sua casa. Se o maestro não está presente, fica sempre tocando a nota mais aguda possível para se mostrar. Tem os lábios rachados e usa isso para paquerar. Está sempre andando pelos bastidores fazendo "prrrrrrrrrft" com seu bocal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soprano - Gorda e metida não são adjetivos educados para se caracterizar uma soprano. Elas são avantajadas fisicamente e temperamentais. Têm que ser o centro das atenções - no palco e fora do palco. São invejadas pelas contraltos e adoram isso. São amantes&lt;br /&gt;excelentes, péssimas esposas. Se vestem com roupas chamativas, adoram chapéus. Preferem champagne ao vinho e não sabem ler partitura: afinal aprendem tudo com o "ouvido maravilhosos que Deus lhe deu". Andam sempre acompanhadas de seu pianista-acompanhador preferido, que chamam de "maestro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenor - Bem apessoado, jovem, bonito, charmoso e gay. Anda sempre com roupas modernas e na moda. Tem várias amigas e quer sempre "viver o momento". Tenta sempre parecer alegre e de bem com a vida, mas, se está de mau humor, faz questão de anunciar para todo mundo. Não toma sorvete, porque tem que "preservar a voz", mas fala sempre alto para ser ouvido do outro lado do bar. Malha regularmente, vai ao cabeleireiro e&lt;br /&gt;flerta com quem passar na frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contralto - Morena e muito alta. Não é muito bonita, mas se veste bem. Não gosta de sopranos, mas sua "melhor amiga" é uma. Gosta muito de flores e usa um perfume forte, mas agradável. Meio desajeitada quando anda. Odeia saladas, mas está sempre cuidando&lt;br /&gt;do peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixo - Alto, cabelo preto e parrudo. Ninguém sabe o que está se passando na cabeça de um baixo - se é que alguma coisa existe atrás daquele olhar perdido. Meio devagar, para falar a verdade. Quer sempre ajudar o próximo, mesmo que isso atrapalhe sua vida pessoal. Suas meias nunca combinam, mas adora fazer papel de "vilão bem vestido" nas óperas. Come de boca aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fagotista - Magro, cabelo encaracolado. É o típico sujeito normal. Curioso por natureza. Sempre simpático e atencioso. Também é muito misterioso: nunca ninguém foi à casa de um fagotista. Somente os outros sopros sabe o nome dele. Dedos longos e&lt;br /&gt;mãos finas. Lembra Sherlock Holmes no jeito de andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tubista - Sujeito acima do peso, loiro e com cabelo encaracolado. Pele oleosa e bochechas vermelhas, sua feito um porco quando toca. Ri de tudo, mas raramente entende uma piada. Gosta de comer bastante e não tem namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flautista - É o violinista das madeiras, mas não tão metido. É perfeccionista, mas sabe que o mundo não é perfeito. Adora Debussy e fica horas ouvindo suas proprias gravações. Enxerido, dá palpite até no dedilhado do trompista. Vive num mundo à parte&lt;br /&gt;e cuida da flauta como se fosse sua filha. É o único que não acha o som do piccolo irritante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarinetista - É um cara engracado. Veste-se bem, mas não é vaidoso. Pode ser loiro ou moreno. Toca com as sobrancelhas e é mais esperto do que inteligente. Adora ficar chupando a palheta enquanto não toca, mas, se desafina, joga a palheta fora. Não&lt;br /&gt;agüenta mais tocar o início da Rapsody in Blue para os outros músicos atrás do palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percussionista - Magro com bracos longos, o percurssionista se gaba de tocar "mais de 20 instrumentos diferentes" e "tirar música de qualquer lugar", mas, por alguma razão incompreensível, sempre entra na hora errada - "culpa da orquestra que está arrastando o tempo" ele diz. Toca bateria numa banda de garagem escondido e acha o Bolero de Ravel um saco, mas sempre fica nervoso antes de apresentá-lo. Nos ensaios é sempre o primeiro a ir para casa e nos concertos sempre o último e ainda fica resmungando por&lt;br /&gt;ter que "desmontar" o "equipamento". Um cara legal que acha qualquer sinfonia clássica "cachê fácil" e jura que existe uma técnica especial de se tocar triângulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trompista - Um cara discreto. Não fala muito. Tem trauma de falhar notas, por isso está sempre desmontando o instrumento para tirar a "água" durante o concerto. A parte do palco em volta da sua cadeira está sempre molhada. É sempre o último a afinar o&lt;br /&gt;instrumento antes do maestro entrar e, de vez em quando, ainda toca um "Fazinho" durante os aplausos só para conferir. Está sempre olhando para o fagotista para saber a hora certa de entrar: afinal não consegue contar mais de 20 compassos em branco. Nunca reclama quando lhe chamam a atenção, mas é quase certo que faz gestos obcenos com a mão que está escondida no instrumento. Tem pesadelos antes de apresentações com&lt;br /&gt;o concerto para piano de Tchaikowsky. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bernardo Scarambone&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114144077282269958?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114144077282269958/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114144077282269958' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114144077282269958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114144077282269958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/03/o-esteretipo-de-cada-musicista.html' title='O estereótipo de cada musicista'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114097036586551147</id><published>2006-02-26T13:11:00.000-03:00</published><updated>2006-03-02T10:43:37.436-03:00</updated><title type='text'>Enquanto há esperança, há dúvida</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Enquanto há esperança, há dúvida.&lt;br /&gt;Enquanto há dúvida, não há fé.&lt;br /&gt;Enquanto há fé, há esperança.&lt;br /&gt;Enquanto há esperança, há fé.&lt;br /&gt;Enquanto há fé, não há dúvida.&lt;br /&gt;Enquanto há dúvida, há esperança?&lt;br /&gt;Enquanto há esperança, há dúvida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson Paiva - 26/02/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114097036586551147?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114097036586551147/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114097036586551147' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114097036586551147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114097036586551147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/02/enquanto-h-esperana-h-dvida.html' title='Enquanto há esperança, há dúvida'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114075002247064318</id><published>2006-02-23T23:55:00.000-03:00</published><updated>2006-02-25T20:38:07.366-03:00</updated><title type='text'>Lendo obras do realismo brasileiro...</title><content type='html'>Terminei de ler hoje O Mulato, de Aluísio Azevedo, nessa excursão que estou fazendo pela literatura brasileira, começando pelo Realismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudei um pouco (o básico) do Realismo / Naturalismo, e, no ano passado, li As Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro, de Machado de Assis. Li ainda O Cortiço, de Aluísio Azevedo. E, nesse ano, acabo de concluir esse verdadeiro retrato da sociedade maranhense, da época do autor, que é O Mulato. Pretendo amanhã iniciar a leitura de O Ateneu, de Raul Pompéia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, pretendo dar um tempo com o Realismo e observar as obras do Romantismo, começando com José de Alencar. Pretendo assim, aos poucos, ir conhecendo o básico dos períodos da literatura nrasileira, ora indo para frente, ora indo para trás, para depois me aventurar pela literatura universal, desde Homero, a Shakespeare, Cervantes, a Orwell, etc, sempre seguindo um rumo definido e orientado. Depois de todo esse básico, caberá repassar pelos principais momentos e períodos da literatura universal e brasileira, visitando outras obras que ficaram para trás, as menos conhecidas, e também chegando à literatura contemporânea, etc. Um longo caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre O Mulato, de Aluisio Azevedo: O autor pincela a paisagem tipicamente brasileira, caricaturizando, como sempre, os tipos sociais, satirizando a burguesia, o clero, denunciando os preconceitos sociais mórbidos, ressaltando, com os seus olhos de pintor, os aspcetos de modo aparentemente caricata, mas verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebo uma frieza e pessimismo em Aluízio Azevedo no desfecho de suas obras, e uma ironia, com que desmascara a sociedade. Elementos presentes também em Machado de Assis; neste porém, de forma menos escancarada, e mais sutil. Machado é o refinamento, a discrição e a sutileza psicológica. Aluísio Azevedo é a denúncia livre e aberta, o olhar para fora, a descrição ambiental pormenorizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aluísio enfoca o coletivo, com um olhar de dentro para fora. Machado de Assis desvenda o interior, com um olhar de fora para dentro. Em Aluísio, os indivíduos se traem, sucumbindo ao meio, transformando-se no pepel inverso que representavam, pois são influenciados pelo meio em que vivem, e não possuem controle sobre o seu próprio destino, conforme a lei naturalista. Em Machado, a contradição do homem está sempre em confronto com o seu orgulho e vaidade, e os atos egoístias são justificados por numa compensação da consciência. O "abrir e fechar de janelas", mencionado em Memórias Póstumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos autores, contemporâneos entre si, representantes máximos do Realismo brasileiro. Muito semelhantes. E muito diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos retoques finais de Machado de Assis (desfecho) sinto um pessimismo melancólico, irremediável e congelante. Nas pinceladas finais de Aluísio de Azevedo percebo uma ironia mórbida, caricata, quase ultrajante, que chega à beira do pitoresco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos lançam um olhar de crítica à sociedade. Percebe-se a dimensão dessa crítica no final da obra. E elas provocam, cada uma, um diferente efeito no leitor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Machado de Assis, resignação. Em Aluísio Azevedo, revolta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114075002247064318?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114075002247064318/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114075002247064318' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114075002247064318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114075002247064318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/02/lendo-obras-do-realismo-brasileiro.html' title='Lendo obras do realismo brasileiro...'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114074583432767062</id><published>2006-02-23T22:47:00.000-03:00</published><updated>2006-02-23T22:51:50.833-03:00</updated><title type='text'>Venha ver o pôr-do-sol</title><content type='html'>Trazemos aqui este conto de Lygia Fagundes Telles. Um conto muito bem escrito, uma trama verdadeiramente bem elaborada. Vale a pena ler ou reler:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELA SUBIU sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.&lt;br /&gt;Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinham um jeito jovial de estudante.&lt;br /&gt;- Minha querida Raquel.&lt;br /&gt;Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.&lt;br /&gt;- Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do taxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima&lt;br /&gt;Ele sorriu entre malicioso e ingênuo.&lt;br /&gt;- Jamais, não é? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância...Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete-léguas, lembra?&lt;br /&gt;- Foi para falar sobre isso que você me fez subir até aqui? - perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro. - Hem?!&lt;br /&gt;- Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço rindo.&lt;br /&gt;- Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado...Juro que eu tinha que ver uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então fiz mal?&lt;br /&gt;- Podia ter escolhido um outro lugar, não? – Abrandara a voz – E que é isso aí? Um cemitério?&lt;br /&gt;Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.&lt;br /&gt;- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou, lançando um olhar às crianças rodando na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. Sorriu. - Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa?&lt;br /&gt;Brandamente ele a tomou pela cintura.&lt;br /&gt;- Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr do sol mais lindo do mundo.&lt;br /&gt;Perplexa, ela encarou-o um instante. E vergou a cabeça para trás numa risada.&lt;br /&gt;- Ver o pôr do sol!...Ah, meu Deus...Fabuloso, fabuloso!...Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr do sol num cemitério...&lt;br /&gt;Ele riu também, afetando encabulamento como um menino pilhado em falta.&lt;br /&gt;- Raquel minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu gostaria era de te levar ao meu apartamento, mas fiquei mais pobre ainda, como se isso fosse possível. Moro agora numa pensão horrenda, a dona é uma Medusa que vive espiando pelo buraco da fechadura...&lt;br /&gt;- E você acha que eu iria?&lt;br /&gt;- Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima. Então pensei, se pudéssemos conversar um instante numa rua afastada...- disse ele, aproximando-se mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos, inúmeras rugazinhas foram se formando em redor dos seus olhos ligeiramente apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio desatento –Você fez bem em vir.&lt;br /&gt;- Quer dizer que o programa... E não podíamos tomar alguma coisa num bar?&lt;br /&gt;- Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende.&lt;br /&gt;- Mas eu pago.&lt;br /&gt;- Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi este passeio porque é de graça e muito decente, não pode haver passeio mais decente, não concorda comigo? Até romântico.&lt;br /&gt;Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.&lt;br /&gt;- Foi um risco enorme Ricardo. Ele é ciumentíssimo. Está farto de saber que tive meus casos. Se nos pilha juntos, então sim, quero ver se alguma das suas fabulosas idéias vai me consertar a vida.&lt;br /&gt;- Mas me lembrei deste lugar justamente porque não quero que você se arrisque, meu anjo. Não tem lugar mais discreto do que um cemitério abandonado, veja, completamente abandonado – prosseguiu ele, abrindo o portão. Os velhos gonzos gemeram. – Jamais seu amigo ou um amigo do seu amigo saberá que estivemos aqui.&lt;br /&gt;- É um risco enorme, já disse . Não insista nessas brincadeiras, por favor. E se vem um enterro? Não suporto enterros.&lt;br /&gt;- Mas enterro de quem? Raquel, Raquel, quantas vezes preciso repetir a mesma coisa?! Há séculos ninguém mais é enterrado aqui, acho que nem os ossos sobraram, que bobagem. Vem comigo, pode me dar o braço, não tenha medo...&lt;br /&gt;O mato rasteiro dominava tudo. E, não satisfeito de ter se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrando-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com a sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte. Foram andando vagarosamente pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.&lt;br /&gt;- É imenso, hem? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, é deprimente – exclamou ela atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada.- Vamos embora, Ricardo, chega.&lt;br /&gt;- Ah, Raquel, olha um pouco para esta tarde! Deprimente por quê? Não sei onde foi que eu li, a beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da tarde, está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambigüidade. Estou lhe dando um crepúsculo numa bandeja e você se queixa.&lt;br /&gt;- Não gosto de cemitério, já disse. E ainda mais cemitério pobre.&lt;br /&gt;Delicadamente ele beijou-lhe a mão.&lt;br /&gt;- Você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.&lt;br /&gt;- É, mas fiz mal. Pode ser muito engraçado, mas não quero me arriscar mais.&lt;br /&gt;- Ele é tão rico assim?&lt;br /&gt;- Riquíssimo. Vai me levar agora numa viagem fabulosa até o Oriente. Já ouviu falar no Oriente? Vamos até o Oriente, meu caro...&lt;br /&gt;Ele apanhou um pedregulho e fechou-o na mão. A pequenina rede de rugas voltou a se estender em redor dos seus olhos. A fisionomia, tão aberta e lisa, repentinamente escureceu, envelhecida. Mas logo o sorriso reapareceu e as rugazinhas sumiram.&lt;br /&gt;- Eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?&lt;br /&gt;Recostando a cabeça no ombro do homem, ela retardou o passo.&lt;br /&gt;- Sabe Ricardo, acho que você é mesmo tantã...Mas, apesar de tudo, tenho às vezes saudade daquele tempo. Que ano aquele! Palavra que, quando penso, não entendo até hoje como agüentei tanto, imagine um ano.&lt;br /&gt;- É que você tinha lido A dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda sentimental. E agora? Que romance você está lendo agora. Hem?&lt;br /&gt;- Nenhum - respondeu ela, franzindo os lábios. Deteve-se para ler a inscrição de uma laje despedaçada: - A minha querida esposa, eternas saudades - leu em voz baixa. Fez um muxoxo.- Pois sim. Durou pouco essa eternidade.&lt;br /&gt;Ele atirou o pedregulho num canteiro ressequido.&lt;br /&gt;Mas é esse abandono na morte que faz o encanto disto. Não se encontra mais a menor intervenção dos vivos, a estúpida intervenção dos vivos. Veja- disse, apontando uma sepultura fendida, a erva daninha brotando insólita de dentro da fenda -, o musgo já cobriu o nome na pedra. Por cima do musgo, ainda virão as raízes, depois as folhas...Esta a morte perfeita, nem lembrança, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso.&lt;br /&gt;Ela aconchegou-se mais a ele. Bocejou.&lt;br /&gt;- Está bem, mas agora vamos embora que já me diverti muito, faz tempo que não me divirto tanto, só mesmo um cara como você podia me fazer divertir assim – Deu-lhe um rápido beijo na face. - Chega Ricardo, quero ir embora.&lt;br /&gt;- Mais alguns passos...&lt;br /&gt;- Mas este cemitério não acaba mais, já andamos quilômetros! – Olhou para atrás. – Nunca andei tanto, Ricardo, vou ficar exausta.&lt;br /&gt;- A boa vida te deixou preguiçosa. Que feio – lamentou ele, impelindo-a para frente. – Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de lá que se vê o pôr do sol. – E, tomando-a pela cintura: - Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com minha prima. Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai. Eu e minha priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos planos. Agora as duas estão mortas.&lt;br /&gt;- Sua prima também?&lt;br /&gt;- Também. Morreu quando completou quinze anos. Não era propriamente bonita, mas tinha uns olhos...Eram assim verdes como os seus, parecidos com os seus. Extraordinário, Raquel, extraordinário como vocês duas...Penso agora que toda a beleza dela residia apenas nos olhos, assim meio oblíquos, como os seus.&lt;br /&gt;- Vocês se amaram?&lt;br /&gt;- Ela me amou. Foi a única criatura que...- Fez um gesto. – Enfim não tem importância.&lt;br /&gt;Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o&lt;br /&gt;- Eu gostei de você, Ricardo.&lt;br /&gt;- E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?&lt;br /&gt;Um pássaro rompeu o cipreste e soltou um grito. Ela estremeceu.&lt;br /&gt;- Esfriou, não? Vamos embora.&lt;br /&gt;- Já chegamos, meu anjo. Aqui estão meus mortos.&lt;br /&gt;Pararam diante de uma capelinha coberta de alto a baixo por uma trepadeira selvagem, que a envolvia num furioso abraço de cipós e folhas. A estreita porta rangeu quando ele a abriu de par em par. A luz invadiu um cubículo de paredes enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras. No centro do cubículo, um altar meio desmantelado, coberto por uma toalha que adquirira a cor do tempo. Dois vasos de desbotada opalina ladeavam um tosco crucifixo de madeira. Entre os braços da cruz, uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas, pendendo como farrapos de um manto que alguém colocara sobre os ombro do Cristo. Na parede lateral, à direita da porta, uma portinhola de ferro dando acesso para uma escada de pedra, descendo em caracol para a catacumba.&lt;br /&gt;Ela entrou na ponta dos pés, evitando roçar mesmo de leve naqueles restos da capelinha.&lt;br /&gt;- Que triste é isto, Ricardo. Nunca mais você esteve aqui?&lt;br /&gt;Ele tocou na face da imagem recoberta de poeira. Sorriu melancólico.&lt;br /&gt;- Sei que você gostaria de encontrar tudo limpinho, flores nos vasos, velas, sinais da minha dedicação, certo?&lt;br /&gt;- Mas já disse que o que eu mais amo neste cemitério é precisamente esse abandono, esta solidão. As pontes com o outro mundo foram cortadas e aqui a morte se isolou total. Absoluta.&lt;br /&gt;Ela adiantou-se e espiou através das enferrujadas barras de ferro da portinhola. Na semi-obscuridade do subsolo, os gavetões se estendiam ao longo das quatro paredes que formavam um estreito retângulo cinzento.&lt;br /&gt;- E lá embaixo?&lt;br /&gt;- Pois lá estão as gavetas. E, nas gavetas, minhas raízes. Pó, meu anjo, pó- murmurou ele. Abriu a portinhola e desceu a escada. Aproximou-se de uma gaveta no centro da parede, segurando firme na alça de bronze, como se fosse puxá-la. – A cômoda de pedra. Não é grandiosa?&lt;br /&gt;Detendo-se no topo da escada, ela inclinou-se mais para ver melhor.&lt;br /&gt;- Todas estas gavetas estão cheias?&lt;br /&gt;- Cheias?...- Sorriu.- Só as que tem o retrato e a inscrição, está vendo? Nesta está o retrato da minha mãe, aqui ficou minha mãe- prosseguiu ele, tocando com as pontas dos dedos num medalhão esmaltado, embutido no centro da gaveta.&lt;br /&gt;Ela cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz.&lt;br /&gt;- Vamos, Ricardo, vamos.&lt;br /&gt;- Você está com medo?&lt;br /&gt;- Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio!&lt;br /&gt;Ele não respondeu. Adiantara-se até um dos gavetões na parede oposta e acendeu um fósforo. Inclinou-se para o medalhão frouxamente iluminado:&lt;br /&gt;- A priminha Maria Emília. Lembro-me até do dia em que tirou esse retrato. Foi umas duas semanas antes de morrer... Prendeu os cabelos com uma fita azul e vejo-a se exibir, estou bonita? Estou bonita?...- Falava agora consigo mesmo, doce e gravemente.- Não, não é que fosse bonita, mas os olhos...Venha ver, Raquel, é impressionante como tinha olhos iguais aos seus.&lt;br /&gt;Ela desceu a escada, encolhendo-se para não esbarrar em nada.&lt;br /&gt;- Que frio que faz aqui. E que escuro, não estou enxergando...&lt;br /&gt;Acendendo outro fósforo, ele ofereceu-o à companheira.&lt;br /&gt;- Pegue, dá para ver muito bem...- Afastou-se para o lado.- Repare nos olhos.&lt;br /&gt;- Mas estão tão desbotados, mal se vê que é uma moça...- Antes da chama se apagar, aproximou-a da inscrição feita na pedra. Leu em voz alta, lentamente.- Maria Emília, nascida em vinte de maio de mil oitocentos e falecida...- Deixou cair o palito e ficou um instante imóvel – Mas esta não podia ser sua namorada, morreu há mais de cem anos! Seu menti...&lt;br /&gt;Um baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio. Olhou em redor. A peça estava deserta. Voltou o olhar para a escada. No topo, Ricardo a observava por detrás da portinhola fechada. Tinha seu sorriso meio inocente, meio malicioso.&lt;br /&gt;- Isto nunca foi o jazigo da sua família, seu mentiroso? Brincadeira mais cretina! – exclamou ela, subindo rapidamente a escada. – Não tem graça nenhuma, ouviu?&lt;br /&gt;Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás.&lt;br /&gt;- Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! – ordenou, torcendo o trinco.- Detesto esse tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira mais estúpida!&lt;br /&gt;- Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta, tem uma frincha na porta. Depois, vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr do sol mais belo do mundo.&lt;br /&gt;Ela sacudia a portinhola.&lt;br /&gt;- Ricardo, chega, já disse! Chega! Abre imediatamente, imediatamente!- Sacudiu a portinhola com mais força ainda, agarrou-se a ela, dependurando-se por entre as grades. Ficou ofegante, os olhos cheios de lágrimas. Ensaiou um sorriso. - Ouça, meu bem, foi engraçadíssimo, mas agora preciso ir mesmo, vamos, abra...&lt;br /&gt;Ele já não sorria. Estava sério, os olhos diminuídos. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque.&lt;br /&gt;- Boa noite, Raquel.&lt;br /&gt;- Chega, Ricardo! Você vai me pagar!... - gritou ela, estendendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo.- Cretino! Me dá a chave desta porcaria, vamos!- exigiu, examinando a fechadura nova em folha. Examinou em seguida as grades cobertas por uma crosta de ferrugem. Imobilizou-se. Foi erguendo o olhar até a chave que ele balançava pela argola, como um pêndulo. Encarou-o, apertando contra a grade a face sem cor. Esbugalhou os olhos num espasmo e amoleceu o corpo. Foi escorregando.&lt;br /&gt;- Não, não...&lt;br /&gt;Voltado ainda para ela, ele chegara até a porta e abriu os braços. Foi puxando as duas folhas escancaradas.&lt;br /&gt;- Boa noite, meu anjo.&lt;br /&gt;Os lábios dela se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola. Os olhos rodavam pesadamente numa expressão embrutecida.&lt;br /&gt;- Não...&lt;br /&gt;Guardando a chave no bolso, ele retomou o caminho percorrido. No breve silêncio, o som dos pedregulhos se entrechocando úmidos sob seus sapatos. E, de repente, o grito medonho, inumano:&lt;br /&gt;- NÃO!&lt;br /&gt;Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lygia Fagundes Telles&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114074583432767062?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114074583432767062/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114074583432767062' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114074583432767062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114074583432767062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/02/venha-ver-o-pr-do-sol.html' title='Venha ver o pôr-do-sol'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114048966023688367</id><published>2006-02-20T23:29:00.000-03:00</published><updated>2006-02-20T23:41:00.246-03:00</updated><title type='text'>O que é mais belo</title><content type='html'>"O que é mais belo do que o amor? A liberdade?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson Paiva - 20/02/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114048966023688367?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114048966023688367/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114048966023688367' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114048966023688367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114048966023688367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/02/o-que-mais-belo.html' title='O que é mais belo'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-114048832406079063</id><published>2006-02-20T23:18:00.000-03:00</published><updated>2006-09-26T13:12:03.693-03:00</updated><title type='text'>Cobrança</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Direi: paixão oprime, amor liberta&lt;br /&gt;E a outra, se é insegura, desleal,&lt;br /&gt;Amor, calor, não fogo, é sinal&lt;br /&gt;Da paz e liberdade que se oferta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor é coração de porta aberta&lt;br /&gt;Paixão é calabouço cardial,&lt;br /&gt;Sou Dédalo e aflige-me o mal&lt;br /&gt;De apego e de ilusão e vida incerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dia, por tão vã insegurança&lt;br /&gt;Provares que em prisão os planos somem&lt;br /&gt;Verás: paixão é fogo, em sua lembrança;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que em cinzas todos sonhos se consomem.&lt;br /&gt;Direi, pois, do passado: és, cobrança,&lt;br /&gt;Capaz de enlouquecer (perder) um homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson Paiva - 18/02/06&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-114048832406079063?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/114048832406079063/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=114048832406079063' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114048832406079063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/114048832406079063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/02/cobrana.html' title='Cobrança'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-113985588679355900</id><published>2006-02-13T16:26:00.000-02:00</published><updated>2006-02-13T16:38:06.870-02:00</updated><title type='text'>Finalmente Osesp elege seu regente-assistente: Victor Hugo Toro</title><content type='html'>Osesp elege assistente chileno &lt;br /&gt;ARTHUR NESTROVSKI&lt;br /&gt;da Folha de S.Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do qüiproquó do ano passado, quando o Primeiro Concurso de Regência Orquestral da Osesp acabou sem nenhum vencedor, tudo o que se queria agora eram bons finalistas. E bons finalistas foi o que se viu no sábado, durante a final do Concurso que consagrou o chileno Victor Hugo Toro como novo regente-assistente da orquestra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da semana se apresentaram 12 candidatos, de cinco países, perante uma banca de cinco maestros --o titular da Osesp, John Neschling, mais os convidados Alun Francis (Inglaterra), Gabriel Chmura (Polônia), Yoram David (Israel) e Roberto Duarte (do Rio de Janeiro). Regeram peças conhecidas e uma desconhecida: um desafio para os semifinalistas, um maracatu stravinskiano de André Mehmari. Os membros da Osesp também tinham direito a voto, valendo a decisão da maioria; o resultado final --maestros mais orquestra-- foi unânime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o público votou no argentino Christian Baldini, carismático jovem regente de 27 anos, doutorando em Cincinatti (EUA). Regeu de cor o primeiro movimento da "Primeira Sinfonia" de Brahms (1833-97), esbanjando musicalidade. Era o mais novo dos três que ficaram para a final; e deixa suspiros, decerto, entre as estantes do palco, tanto quanto nas fileiras da platéia --numerosa platéia para uma manhã chuvosa fora de temporada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto alto do outro finalista, o japonês Kodo Yamagishi (34 anos, assistente do Coro do Teatro São Carlos, em Lisboa), foi "Dumbarton Oaks", de Stravinsky (1882-1871), que ele regeu com incisiva geometria. Teve a virtude de mudar o estilo dos gestos para Brahms e Schumann. Só ficou faltando, talvez, aquela carga de agressividade que intensifica a presença física de um maestro no pódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos três aquele que parecia mais à vontade na situação era mesmo o chileno --e "parecer", no caso, já é parte da arte. A batuta podia estar tremendo, mas Toro comandava a Osesp com naturalidade, certo do que queria e querendo a coisa certa, a julgar pelos olhares do júri. Musicalmente, foi menos original do que Baldini; mas o cargo não exige originalidade. Pede, sim, desenvoltura e prontidão (o assistente acompanha todos os ensaios; só rege em caso de urgência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o concurso passado que Victor Hugo Toro, de 30 anos, se preparava para esse. Professor-assistente de regência na Universidade do Chile, passou muito tempo em São Paulo e já é familiar à orquestra. Em fins de 2005, assumiu o posto de regente do Coro Juvenil da Osesp. Ninguém espera dele, por ora, mais do que ele mesmo espera: uma chance de crescer à frente da melhor orquestra da América Latina. O que virá depois será uma outra história, por enquanto em aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Folha de São Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: O prêmio Osesp prevê ao vencedor contrato de dois anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-113985588679355900?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/113985588679355900/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=113985588679355900' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/113985588679355900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/113985588679355900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/02/finalmente-osesp-elege-seu-regente.html' title='Finalmente Osesp elege seu regente-assistente: Victor Hugo Toro'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21607427.post-113961897396061413</id><published>2006-02-10T21:22:00.000-02:00</published><updated>2006-04-11T21:44:53.586-03:00</updated><title type='text'>Realidade</title><content type='html'>Para mim, viver é, acima de tudo, sentir. Sentimos pelos sentidos, mas não sabemos utilizá-los. Como você sente sua boca? Seu ventre, seu tórax e seus pés? Pois eu digo que, para mim, esse é o segredo: não cheirar, tocar, degustar, ver, ouvir, pressentir. É sentir naturalmente, desligando-se do "eu", unindo=se, sucessivamente, à natureza, depois, ao planeta, ao sistema solar, via láctea, ... outras galáxias e, por fim, a todo o universo. E quando por fim o fizer isso será pouco porque ainda haverá muito o que sentir. Os outros universos, multiuniversos, outras pessoas, outros mundos, dimensões, porque planeta não é o mesmo que mundo. O planeta é físico e o mundo, abstrato, assim como a mente é abstrata e o cérebro, físico. O espaço físico e o abstrato são separados ou unem-se em um todo indefinível? Não responderei, mas acrescentarei que o seu "eu" não é físico, mas você pode sentir seu corpo como se fosse físico, ou pode sentir toda a essência cósmica como se não fosse. Isso faz a diferença. Existem apenas cinco sentidos? Esta concepção é principal fator para pensarmos, ou melhor, sentirmos errados. Porque sentir pe mais importante do que pensar. Pensar, no modo tipicamente vulgar, é divagar com palavras, como se estivesse falando. Quando você lê, você pensa no modo primário (vulgar, banal). Quando lê, as palavras soam na sua mente como vozes. e você está pensando. Mas o verdadeiro pensamento, o verdadeiro sentir não é associado a palavras, nem a coisa nenhuma. Ele é livre. É por isso que estamos presos, pois o inglês pensa em inglês, o alemão pensa em alemão, o japonês pensa em japonês. Neste sentido nosso pensamento é mais falho do que o dos outros animais, uma vez que esses relacionam-se com a natureza  de modo a harmonizar-se e integrar-se com ela, como se fizessem parte de um todo. Na realidade, o fazem. Quando você sentir o universo, você &lt;span style="font-style:italic;"&gt;será&lt;/span&gt; o universo. Quando sentir outros mundos, e dimensões e multiuniversos, será tudo isto. Os mundos imaginários tornam-se reais, porque não existe verdadeiro limite entre o real e o não real, uma vez que o real não é só o concreto. Os sentimentos não são físicos, mas existem, assim como os pensamentos. Então real é em que você acredita. O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;real superio&lt;/span&gt; jamais poderemos conhecer. Não vemos o ultravioleta; as abelhas o vêem. No entanto, as abelhas nâo têm acesso a muitas cores que nós, humanos, temos. Cada um vê ao seu modo e ninguém pode definir como é a realidade em si. As cobras sentem diferentemente dos humanos, que sentem diferentemente dos morcegos. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O objeto não existe sem o observador&lt;/span&gt;, uma vez definida a existência nesses termos. Para mim a cadeira é tão real como o pensamento de sentar, ou a qualidade de ela ser bonita ou fiea, ou ainda o ato bondoso de eu deixá-la disponível aos idosos ou a ação maldosa de eu destrui-la. Então real não é o que você vê, ouve, etc. É o que você 'sente'. Mas não sentir no sentido de tato. Sentir no sentido mais profundo, e puro: o sentido de integrar-se ao universo. Integrar-se ao &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todo&lt;/span&gt;. Todos os objetos contruídos pelos homens, que vemos, um dia foram um desenho, um papel, uma imaginação. Algo impossível, algo louco. Algo imaginário. Eu diria que a razão está a um passo da sabedoria, e a sabedoria está a um passo da loucura. E a loucura está a um passo da razão. Ou seja, é um círculo. Não dá para dizer onde é o início e onde é o fim. É um dodo, indefinido. No dia em que quiser compreender o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todo&lt;/span&gt;, desligue-se dos sentidos e sinta realmente. Lembre-se de que a audição é a visão para o cego, e a visão é a audição para o surdo. Se um dia você tornasse-se cego e surdo, como sentiria? Sobrariam o olfato, o paladar e o tato e você estaria perdido em um undo, praticamente 'vendo' e 'ouvindo' com o tato. Mas se aprendesse que não existem só cinco sentidos e que o mundo como o vemos é banalizado, sua existência não seria depressiva: seria altamente formada por base nas idéias. Seria experimental. Mas e se você, hipoteticamente, por alguma razão ou causa extraordinária, digamos um experimento científico, perdesse também esses três últimos sentidos, permanecendo, entretanto, a razão, os pensamentos e a consciência? O que existiria? O que deixaria de ser real? Estaria em uma espécie de coma? Estaria vegetando? Diria que não. Está claro, para mim, que os animais pensam, ao seu modo, mas as plantas não. Pelo menos não na concepção que estamos mais ou menos familiarizados. Sua complexidade cerebral continuaria muito maior do que a de outros animais, e você provavelmente seria bombardeado por imanges oníricas, sonhando dormindo e acordado. A sua vida seria um eterno sonho, comparada com a nossa vida, e supondo-se que que suas faculdades mentais permanecessem intactas, embora você não sentisse o corpo (suponha que seu corpo estivesse constantemente alimentado por uma espécie de soro, nutrindo o cérebro). Obviamente sua posição seria diferente de quem tivesse nascido assim, do mesmo modo que o cego e o surdo de nascença vêem o mundo totalmente diferente de quem perdeu um desses sentidos numa fase posterior. Se Beethoven tivesse nascido surdo, obviamente jamais teria sido compositor, e não saberia o que é som, por mais que lhe pudessem, cientificamente, explicar. Mas uma vez que Beehthoven teve a oportunidade de, em uma parte de sua vida, 'ouvir', depois de surdo continuou compondo, crescendo de maneira inacreditável sua capacidade, uma vez que ouvia os sons na sua pura abstração, uma experiência sem dúvida incomum. Ele teve um instinto auto-destrutivo, mas uma vez que recuperou-se, como ele mesmo escreveu, en bine da arte, prosseguiu e atingiu um nível incompreensível, e a partir de então sua música não só estava a frente de seu tempo, mas permanece, ainda hoje muito à frente de nosso tempo. Temos a tendência de desprezar e considerar 'ruim' tudo o que não compreendemos, mas os sensíveis, mesmo não compreendendo de Beethoven as suas últimas composições, conseguiram pelo menos enxergar que essas estavam num nível 'sobre-humano', e até hoje assim são consideradas. Suas expressões jamais foram igualadas por nenhuma obra de nenhum outro compositor, quer sejam do passado, quer sejam do futuro.  Lembre-se de que depois de surdo Beethoven escreveu a maior sinfonia de todos os tempos, quartetos de cordas que simplesmente ultrapassam a nossa compreensão e que diversos compositores de todas as partes, inclusive muitos deles ainda hoje muito famosos, procuravam-no para opinar sobre suas partituras, dar-lhes um parecer. Muitos consideram-no hoje o maior compositor de todos os tempos, e ele foi o que sem súvida exerceu maior influência nos posteriores. E pensar que muitos considerariam sua isolada existência limitada. Voltando agora à nossa hipotética situação em que vcoê perdeu todos os sentidos, ou pelo menos todos os cinco que aprendeu na escola, qual seria sua posição diante do universo? Sua vida perderia sentido? Talvez. Preferiria morrer? Talvez. Mas se você aprendesse, a partir de então, a realmente enxergar, a realmente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sentir&lt;/span&gt;, você estaria dando um passo ao infinito, integrando-se com tudo e com todos. No seu mundo interior, extrapolaria os limites do mundo exterior, ligando-se à essência de tudo, dos universos e multiuniversos, os mundos imaginários e inimaginários, dimensões e pensamentos, enfim, ao &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todo&lt;/span&gt;, e quando pareceria não ser nada, seria tudo. Em que poderia influenciar? Não responderei, apenas observarei que para saber isto seria preciso conhecer até onde vão as possibilidades da mente humana, suas forças psíquicas, mentais espirituais; depende muito da sua crença. Mas de um modo ou de outro, enquanto muitos imaginam um homem deitado na cama de um hospital mantido por uma ciência futurista, um morto-vivo, em coma, vegetando, eu imaginaria um homem que desprendeu-se das associações com o pensamento e aprendeu a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sentir&lt;/span&gt;, tendo sua mente viva e sua memória intacta, mas a partir de então, não só as memórias do mundo anterior estariam presentes, antes um novo mundo seria criado, uma nova dimensão espiritual, abstrata, mental, psíquica, onde tudo aconteceria de maneira tão ou mais real do que no mundo físico, com outros 'seres' em que o corpo não é mais importante, mas as idéias. Esse homem, esse ser não faria acontecer: ele &lt;span style="font-style:italic;"&gt;aconteceria&lt;/span&gt;. Sua mente seria um universo e as pessoas dentro dele seriam parte de seus pensamentos regidos por ele, onde tudo o que ele quisesse ocorreria. Ele seria um ente supremo, ligado a essência do universo e ao &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todo&lt;/span&gt;. Ele seria o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todo&lt;/span&gt;. Ele seria um deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson Paiva (het. John McCriffer)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21607427-113961897396061413?l=contrapunctum.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contrapunctum.blogspot.com/feeds/113961897396061413/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=21607427&amp;postID=113961897396061413' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/113961897396061413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21607427/posts/default/113961897396061413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contrapunctum.blogspot.com/2006/02/realidade.html' title='Realidade'/><author><name>Anderson Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11254487126001507560</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='09080401170661374151'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry></feed>