Contrapunctum

Este blog visa divulgar informações do campo da música de concerto (clássica ou erudita) e de outras artes e ciências de forma interativa, bem como expor idéias, opiniões, comentários e textos variados em áreas diversas.

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Name: Anderson Paiva
Location: São Paulo, SP, Brazil

Tenho 26 anos. Clarinetista e compositor amador. Sou evangélico (CCB), aprecio a música, a leitura, navegar na internet (fazer pesquisas e participar de fóruns). Gosto de conversar assuntos diversos, no campo das idéias. Tendência à reflexão e à introspecção. Predominantemente tranqüilo. Não tolero a falsidade e a arrogância. Prezo a humildade, a empatia e a lealdade. Sou um pouco desatento ao meio em que vivo, mas perspicaz na percepção das personalidades alheias. Conheço bem meu interior. Aprecio a discussão, no bom sentido; o debate de idéias. Incomodo-me com decisões de última hora, prefiro as coisas planejadas. Mas não sou organizado, nem metódico. Aliás, o oposto disto. E-MAIL: anton.stadler@gmail.com

Saturday, August 19, 2006

Voe, Sarah

Saiu na UOL Últimas Notícias, dia 14, segunda-feira. Dia em que cessou a guerra entre Israel e Hezbollah, após os últimos ataques intensificados.
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Abraçada à mãe, Sarah morreu horas antes do fim da guerra em Beirute

BEIRUTE, 14 ago (AFP) - Sarah, de 10 anos, jamais saberá quem venceu a guerra, se Israel ou o Hezbollah, pois morreu abraçada a sua mãe depois que as bombas israelenses as sepultaram sob os escombros do prédio onde se refugiaram, em um subúrbio ao sul de Beirute.

Os restos mortais das vítimas das últimas horas de batalha jaziam nesta segunda-feira no necrotério da capital do Líbano.

"Seu rosto estava ensangüentado, mas intacto. Seu corpo, no entanto, está destroçado, e suas pernas não passam de uma massa de carne. Deixei a fita vermelha que prendia seus cabelos", conta Mahmud Mekdad, um dos funcionários do necrotério.

"Sua mãe, Asmahane, está no caixão ao lado do dela. Quando foram retiradas dos destroços, a menina abraçava a mãe que tentou visivelmente protegê-la. As equipes de socorro tiveram que afastá-las", acrescentou.

"Os corpos foram trazidos para cá na noite de domingo e até agora ninguém veio reclamá-los. Talvez não haja sobreviventes nesta família", informou o médico legista Hussein Medkad, que passou os atestados de óbitos na ausência de familiares.

Sarah e sua mãe morreram soterradas quando aviões israelenses bombardearam na tarde de domingo um prédio do bairro Rueiss, periferia de Beirute.

"Não há dúvidas de que existem outras famílias sob os escombros. É pouco provável que sejam encontrados sobreviventes. Vamos usar cães adestrados para tentar localizar os corpos", disse um socorrista no local da tragédia, onde já foram retirados dez corpos. Inaam Kaacheemelli e sua filha Mariam observam as idas e vindas das escavadeiras que erguem blocos de concreto armado.

Mariam, de 10 anos, vive a 200 metros dos imóveis destruídos. "Ontem, ao meio-dia, eu estava brincando com Sarah e o irmão dela, Ibrahim. Onde eles estão?", pergunta a menina.

Sua mãe implora aos jornalistas: "Por favor, não mostrem para minha filha a foto do corpo de Sarah. Ela ainda não sabe", explicou.

Mais de mil civis morreram em 33 dias de bombardeios contra o Líbano. Segundo dados das Nações Unidas, quase um terço das vítimas é de crianças.

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Taí. É esse o espectro da guerra.

Não ligue, Sarah. Os adultos são assim mesmo. E você, nunca crescerá. Nunca se tornará um adulto. Mas arrancada subitamente da existência, voa, para longe, e deixa atrás de si um mundo de mediocridades e ilusões, no qual a vida é um duelar constante entre os homens fortes e grandes, que em sua fraqueza se esqueceram de que foram, um dia, humanos.

Voe, Sarah.

Monday, August 07, 2006

Irmãos de guerra

Estas montanhas cobertas de bruma
são agora a minha casa
Mas o meu lar é nas planícies
e sempre será

Algum dia vocês retornarão
para os seus vales e fazendas
E não mais ansiarão para serem irmãos de guerra


Através desses campos de destruição,
batismo de fogo,
Eu testemunhei o sofrimento
quando as batalhas se intensificaram

E embora eles me machucavam tão maldosamente
no medo e no alarme
Vocês não me abandonaram
meus irmãos de guerra


Existem tantos mundos diferentes,
existem tantos sóis diferentes
E nós temos apenas um mundo
mas vivemos em mundos diferentes


E agora o sol foi para o inferno
e a lua está girando rápido
Deixe-me dar adeus
todo homem tem que morrer

Mas está escrito nas estrelas
e em toda linha na palma da sua mão
Somos tolos por guerrear
nossos irmãos de guerra


Dire Straits, Mark Knopfler

Wednesday, August 02, 2006

Mundo Paralelo

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indolencia.com

Descobri que estou em um mundo paralelo.

Estou há muito tempo sentado. Aprisionado. Não sinto o tempo passar.

À minha frente, uma tela em que imagens aparecem, conforme o toque dos dedos. Os dedos percorrem botões e alternam com o toque da mão direita, no ratinho branco.

Tudo passa muito rápido. Mas às vezes, segundos parecem horas, diante do movimento lento, irritantemente lento, da ampulheta a marcar a espera

Pressiono F5.

Nenhuma mensagem. Decepciono-me.

O recinto está fechado. Apenas uma janela me mantém em contato com o mundo externo. Janelas.

Navego. Tento encontrar algo. Preciso encontrar algo.

www.google.com.br

Encontro algo (qualquer coisa).

Fecho as janelas. Não sem um quê de frustração e tristeza.

Desligo a tela. Mas descubro que ainda estou em um mundo paralelo.

Ao meu redor há objetos, pessoas, conversas, paredes, sons de carro passando. Tudo parece irreal.

Tudo perdeu o sentido. Eu perdi o sentido. Estou em um novo parâmetro de realidade. Aprisionado. Alienado.

Paredes me cercam do mundo lá fora. Uma janela me mantém em contato com o mundo externo

Apenas janelas. Windows.