Contrapunctum

Este blog visa divulgar informações do campo da música de concerto (clássica ou erudita) e de outras artes e ciências de forma interativa, bem como expor idéias, opiniões, comentários e textos variados em áreas diversas.

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Name: Anderson Paiva
Location: São Paulo, SP, Brazil

Tenho 26 anos. Clarinetista e compositor amador. Sou evangélico (CCB), aprecio a música, a leitura, navegar na internet (fazer pesquisas e participar de fóruns). Gosto de conversar assuntos diversos, no campo das idéias. Tendência à reflexão e à introspecção. Predominantemente tranqüilo. Não tolero a falsidade e a arrogância. Prezo a humildade, a empatia e a lealdade. Sou um pouco desatento ao meio em que vivo, mas perspicaz na percepção das personalidades alheias. Conheço bem meu interior. Aprecio a discussão, no bom sentido; o debate de idéias. Incomodo-me com decisões de última hora, prefiro as coisas planejadas. Mas não sou organizado, nem metódico. Aliás, o oposto disto. E-MAIL: anton.stadler@gmail.com

Sunday, June 18, 2006

As sete maravilhas do momento:

1. Luís Inácio Lula da Silva
2. MLST
3. Bruno e Marrone
4. Galvão Bueno
5. BBB (Big Brother Brasil)
6. Dan Brown
7. Carlos Alberto Parreira

Monday, June 12, 2006

O fantástico mundo do saxofone: sopranino, soprillo, sax baixo, contrabaixo, subcontrabaixo/tubax

Essa matéria foi aperfeiçoada e movida para o Mnemosina. Clique aqui.
http://mnemosina.blogspot.com/2006/11/o-fantstico-mundo-do-saxofone.html.

Wednesday, June 07, 2006

Improviso: "sons fortuitos"

Sons ecoados no espaço,
Sons indefinidos, sem forma, vazios,
Ruídos sem sentido, ondas desconexas que meus ouvidos captam,
Alguns sons, até com belos efeitos,
Mas sem sentido, sem vida, sem a complexidade para se sustentarem em si mesmos,
Sem comunicação entre uma freqüência e outra,
Sons jogados e espalhados, explodidos e expandidos, no espaço, randômicos.
O caos.

Mas, de repente,
Um conjunto organizado de sons chegou aos meus ouvidos,
Fazendo-me perguntar: como surgiu, de onde veio, como foi criado?
Que teoria física abriga o sentido desse fortuito e feliz encontro de timbres?

Disseram-me que era a Nona Sinfonia de Beethoven,
Da fina arte, da pena, da mesma que abriga uma doce Ária da Corda Sol
de uma suíte de Bach,
Da mesma arte, que abriga o encanto
de uma ópera de Mozart
E a complexidade de qualquer um dos Seis Quartetos de Bartók.

Não acreditei,
Não conhecia esses nomes.
Nunca os vi, não existem.

Mas o conjunto de sons
continua, e me impressiona
Estou encantado.

Feliz quadro de vibrações sonoras
(freqüencias, em hertz, vindas de algum lugar desconhecido)

Agradeci ao deus Random,
(síntese fortuita da natureza)
e à complacência do acaso.

27/05/2006 – Anderson Paiva

Monday, June 05, 2006

A arte de Aílton Rocha

Aílton Rocha é poeta, contista e ensaísta. Intelectual de Muzambinho, interior de Minas Gerais, possui estreitas relações com alguns dos grandes escritores brasileiros.

Tive o prazer de conhecê-lo em um fórum de discussões de música clássica, na internet. Trocamos algumas mensagens, e desde então venho aprendendo valiosos valores relacionados à arte humana. Impressionante sua clareza de raciocínio, capacidade de concentração, implacável lógica e, sobretudo, sua sensibilidade. Rocha pinta um retrato da mente humana em direção ao transcendente com profundidade e predomínio das sensações. Sensações psicológicas.

Recentemente tive a honra de receber via correio alguns de seus livros publicados, devidamente autografados: “Imagens” (poemas), “Nove Histórias de Amor e Vida” (coletânea com contos de três escritores, incluindo Aílton) e “Realismo (quatro histórias)”.

Em “Imagens”, o lúcido e cristalino jogo de palavras; a incrível orientação estética; a relação da mente humana com a natureza, com o insondável; e, em alguns momentos, lirismo, doçura, candura.

AH! QUERO SIM QUE OS LÍRIOS, A LUZ,
A brancura da luz te abram os olhos.
Que teus braços se desembaracem das
Algas marinhas – das vãs ilusões.

Que abram asas, abram asas teus braços,
Teu vulto de luminosa borboleta.
Voe, que voe, contornada de brilho!
O azul e nuvens sempre serão o teu lugar.

Rompam as algemas os teus pensamentos.
Para o sol! Para radiantes estrelas!
Para Deus! A amplidão está em ti!

Mas abre tuas asas, borboleta-celeste!
Um só dia, sobre mim, em meu coração. Tú!
Flutuante esperança! Amor que nunca tive!


(de Dois sonetos, de “Imagens”, pág. 54)

E vejam que nível de profundidade o autor alcança nesse trecho do conto “Quinze dias de chuva”, em que o narrador-personagem conta a sua experiência e convívio em um manicônio:

“Com que sonha um louco quando dorme? Será se é lúcido e há paz nesse sono? Ou loucura mesmo é pensar, refletir, como constantemente fazemos? (...)

O mistério. (...) Um pequeno fio, apenas um fiozinho de nada ampara a nossa lucidez. A qualquer momento pode acontecer a ruptura (...) A deformidade do entendimento (...) O que passa por detrás desses olhos mortiços? (...) É a verdadeira escuridão noturna. Em certos momentos, há um brilho. Será a clareza de quem desnudou os limites do real e do imaginário? Será a compreensão de quem rompeu o nó, o elo que nos liga ao enigma da existência? E eles nos olham, abrangentes, e, por instantes, riem, só nos cantos dos lábios como se reconhecessem em nós o ridículo e o verdadeiro absurdo. E não podemos trazê-los de volta. Não podemos compreender. É um segredo que retorna em espiral a uma outra região, desconhecida e abissal.”


(Quinze dias de chuva, de “Nove histórias de amor e vida”, pág. 73)


Em Realismo (quatro histórias), talvez sua obra mais profunda, a submersão no inconsciente e nos mistérios da mente humana é de uma interiorização impressionante. É obra para reflexão, de impacto, complexa, densa e profunda. Esses contos “foram construídos a partir da observação da psique humana, e criados como labirintos, câmaras, corredores subterrâneos”, conforme as próprias palavras do autor. Utilizando psicologia jungiana, símbolos esotéricos e técnicas expressionista e surrealista, o escritor aprofunda-se no realismo interior de seus personagens, com sensibilidade extrema, sentindo-lhes a dor com uma experiência humana, e criando, a partir de técnicas de assimilações variadas, um clima que sempre tende ao fantástico, ao insólito e ao inusitado. Sinceridade e originalidade são aspectos essenciais de sua de sua inconfundível estética. Conforme as palavras de Américo Carnevali Filho, “é realismo íntimo, criatividade artística e, ao mesmo tempo, sofrimento de toda a Humanidade”.
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_ Papai, o aquário não é um simples aquário, como o senhor pensa.
_ O que é, então, meu filho? Perguntou o engenheiro Jean Paul ao menino.
_ O aquário – repitiu ele – não é um simples aquário.
_ Explique-se melhor, filho. De onde tirou essa idéia? Tornou a perguntar o pai, de uma maneira desatenciosa, porque já estava acostumado com aquele tipo de pergunta.
_ Pai, pai. Pare um pouco esse esquadro. Ouça o que tenho a dizer antes que seja tarde demais.
_ Sim, meu filho. Já parei. Pode dizer agora.
_ Meu pai! Todo aquário tem um caminho para o oceano. Todos eles têm um túnel. Eu consigo enxergar a passagem no fundo do aquário... Eu vi a passagem...

(início do conto O Menino que Gostava de Peixes, de “Realismo - Quatro Histórias”)