Improviso: "sons fortuitos"
Sons indefinidos, sem forma, vazios,
Ruídos sem sentido, ondas desconexas que meus ouvidos captam,
Alguns sons, até com belos efeitos,
Mas sem sentido, sem vida, sem a complexidade para se sustentarem em si mesmos,
Sem comunicação entre uma freqüência e outra,
Sons jogados e espalhados, explodidos e expandidos, no espaço, randômicos.
O caos.
Mas, de repente,
Um conjunto organizado de sons chegou aos meus ouvidos,
Fazendo-me perguntar: como surgiu, de onde veio, como foi criado?
Que teoria física abriga o sentido desse fortuito e feliz encontro de timbres?
Disseram-me que era a Nona Sinfonia de Beethoven,
Da fina arte, da pena, da mesma que abriga uma doce Ária da Corda Sol
de uma suíte de Bach,
Da mesma arte, que abriga o encanto
de uma ópera de Mozart
E a complexidade de qualquer um dos Seis Quartetos de Bartók.
Não acreditei,
Não conhecia esses nomes.
Nunca os vi, não existem.
Mas o conjunto de sons
continua, e me impressiona
Estou encantado.
Feliz quadro de vibrações sonoras
(freqüencias, em hertz, vindas de algum lugar desconhecido)
Agradeci ao deus Random,
(síntese fortuita da natureza)
e à complacência do acaso.
27/05/2006 – Anderson Paiva


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