O Mago
E o lobo, saciado de sangue e carne,
Volta a trotar pelas estepes, com o focinho sujo,
Com gritos da corça em seu estômago selvagem.
E o urso, sentindo sonolentos os olhos,
Semi-adormecidos os membros,
Vai para a caverna reiniciar a hibernação.
E o poeta, cansado de lapidar a pequena obra,
Com a secreta vaidade de imitar Deus,
Debruça-se ao repouso sobre as gramíneas.
E o homem recorda o sonho da tarde de verão.
Absorto diante das partes esfaceladas
Recolhe-se à timidez dos mortais.
Apenas um ser permanece ali, distante
E estranho diante das sombras curvadas;
Diferente, mas tão próximo a elas.
Ele - aglutinador e consolador de todas!
Ele é o Mago, o instigador das marionetes,
Ser primordial que já avançou além do amplexo da dor.
Retorna a si mesmo – para a alquimia do estático,
E olha mais uma vez o horizonte onde tudo é silêncio.
Ah, fragmentos! múltiplos rostos!
Essas paragens de minha alma,
Onde transitam as multidões
E a solidão branca impera.


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